Metro Mondego executou metade do que tinha programado para 2021

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A Metro Mondego, responsável pelo Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), executou 49,9% daquilo que tinha programado para 2021 e justificou a derrapagem com atrasos na autorização de investimentos estruturais e na empreitada da Baixa de Coimbra.

A conclusão surge no Relatório e Contas de 2021, documento aprovado na quarta-feira, em Assembleia Geral ordinária da Metro Mondego, tal como o Plano de Atividades e Orçamento para 2022.

No documento consultado pela agência Lusa, a entidade reconheceu que a execução em 2021 assume “um valor bastante inferior ao programado”, apontando para os atrasos na publicação da resolução de Conselho de Ministros que autorizou os investimentos estruturais (provocando um atraso na contratação do projeto de execução do Parque de Manutenção e Oficinas e no lançamento do concurso de fornecimento de material circulante).

“Contribui também para o desvio ocorrido os atrasos na execução da empreitada da Baixa de Coimbra”, notou a sociedade, referindo que, no processo de libertação daquela zona, a execução situou-se nos 39,5%, contribuindo não apenas o atraso no arranque da obra, mas também uma execução “a um ritmo ligeiramente inferior ao projetado”.

A Metro Mondego tinha projetado investir 4,9 milhões de euros em 2021, mas acabou apenas por executar cerca de 2,4 milhões.

Face ao grau de cumprimento, a Metro Mondego admitiu que alguns atrasos registados podem vir a implicar “ajustamentos, nomeadamente no caminho crítico inscrito no cronograma para início da operação do sistema”.

“Muito em particular, para estes espera-se que, com redobrado esforço da empresa e cooperação de todas entidades envolvidas, em 2024 seja finalmente possível assegurar a plena concretização do SMM”, frisou.

Na nota do presidente do conselho de administração presente no Relatório e Contas, João Marrana reconheceu também que “nem todos os prazos previstos terão sido escrupulosamente respeitados”.

No entanto, salientou que em 2021 foram lançados processos de concurso previstos e realçou a consignação, no final daquele ano, dos trabalhos de ligação entre o Alto de São João e a Portagem, em Coimbra.

“A nossa convicção é a de que teremos conseguido atingir o fim do princípio desse processo”, salientou João Marrana.

O Plano de Atividades e Orçamento (PAO para 2022, aprovado pelo conselho de administração em setembro e agora pela Assembleia Geral, apresenta mudanças nos prazos estabelecidos.

Se no PAO para 2021, a Metro Mondego assumia como principal meta a médio prazo “colocar em operação o SMM, de forma progressiva, ao longo do ano de 2023”, no PAO para 2022, a sociedade afirma que teria o objetivo de colocar em operação “ainda no ano de 2023” (algo que foi, entretanto, revisto para março de 2024).

Na comparação entre os dois documentos (PAO de 2021 e 2022), é possível também constatar a revisão de metas de curto prazo: a conclusão da abertura do canal da Baixa de Coimbra passa do 3.º trimestre para o 4.º trimestre de 2022 ou a conclusão do Parque de Manutenção e Oficinas do 3.º trimestre de 2023 para o 1.º trimestre de 2024.

A meta de adjudicação do concurso para fornecimento dos autocarros elétricos passou do 3.º trimestre de 2021 num documento para o 4.º trimestre de 2021 noutro, estando já o Plano de Atividades para 2022 desatualizado, já que este prazo não foi cumprido, com a extinção do anterior concurso por exclusão de todas as propostas e a abertura de um novo procedimento.

O PAO para 2022 revê também em baixo o investimento para este ano, passando dos 12 milhões previstos anteriormente para cerca de 8,7 milhões de euros, ficando o grosso do investimento apontado para 2023, com a esperada compra do material circulante do SMM.

O documento estabelece ainda como meta de médio prazo a disponibilização de um tarifário intermodal integrado para a região de Coimbra.

Para tal, serão importantes as conclusões do grupo de trabalho estabelecido por despacho governamental em fevereiro, que irá estudar a criação da Entidade de Gestão do Sistema Intermodal da Região de Coimbra.

Segundo esse despacho, o grupo de trabalho terá de apresentar um relatório final ao Governo até 31 de maio.

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