Reabilitação do Mosteiro de Santa Cruz pode ser “projeto mobilizador para o século XXI”

FOTO DB/PATRICIA CRUZ ALMEIDA

A exposição “Projetos para o Mosteiro”, inaugurada no sábado no antigo refeitório monástico (na Sala da Cidade dos Paços do Concelho de Coimbra), apresenta vários projetos de alunos do Departamento de Arquitetura da FCTUC para a instalação de um núcleo museológico nos espaços do antigo Mosteiro de Santa Cruz.

“A exposição mostra como a instalação de um núcleo museológico e interpretativo, e a reabilitação do Mosteiro de Santa Cruz pode ser um projeto mobilizador para a Coimbra do século XXI, em articulação, obviamente, com a intervenção na beira-rio, e com a recuperação cada vez mais urgente e necessária dos colégios da rua da Sofia – que praticamente não se podem visitar e que são um património único da nossa cidade”, disse, durante a inauguração o coordenador do projeto, Rui Lobo.

O projeto Santa Cruz estuda o antigo Mosteiro de Santa Cruz, uma das principais casas religiosas portuguesas, e a sua situação em 1834, ano em que foram extintas as ordens religiosas e o seu património foi integrado no Estado, vendido ou enviado para museus. Como consequência, partes importantes do antigo mosteiro foram destruídas nas décadas seguintes. O edifício da câmara municipal, hoje lado a lado com a igreja monástica, foi construído em 1876-79 sobre o claustro renascentista de entrada. Outros elementos se perderam, casos da biblioteca e do dormitório renascentistas e da imponente torre sineira, derrubada em 1935.

Na mostra que foi inaugurada no sábado, é possível apreciar uma recriação contemporânea do claustro em redor da Fonte da Manga e a reposição de um elemento vertical, de referência urbana, no local da antiga Torre dos Sinos.
Embora tenha reconhecido que, neste momento, não é prioritário fazer investimentos naquele local, o presidente da autarquia deixou espaço para a possibilidade de reconstruir a Torre dos Sinos.

“Se calhar poderíamos pensar em dar esse passo, fazer essa reconstrução, retomar essa memória da cidade, repor o estrato elevado que nos permitisse fruir e absorver toda a zona Baixa da cidade e ver também a zona da Alta de uma perspetiva diferente. Esse é um projeto que, não sendo prioritário, pode estar no nosso horizonte mais próximo: a construção dessa torre e dessa memória”, afirmou José Manuel Silva.

Pensar a Baixa da cidade

O autarca aproveitou a presença de várias entidades da cidade para apelar à união de todos na requalificação da Baixa.
“A Baixa da cidade precisa de um novo fôlego e nós precisamos da Baixa da cidade recuperada, digna e com a resolução dos seus problemas que condicionam este espaço nuclear e central de Coimbra. Quem sabe, a Baixa não possa ser o mote para um futuro projeto e darmos esse impulso ao coração da nossa cidade nesta perspetiva de recuperação e vivificação do nosso património”, afirmou.

A exposição inclui também a apresentação da recriação 3D da “Última Ceia”, de Hodart, projetada no seu local original e permitirá, através de um programa de visitas aos sábados à tarde, entre 19 de fevereiro e 2 de abril, a visualização em tempo real, com recurso a smartphones, tablets e QR codes, de espaços do antigo mosteiro em vários pontos de um percurso pré-definido.

A diretora regional de Cultura do Centro enalteceu a virtualização do património cultural existente neste projeto, como forma de mediação cultural, como forma de chegar ao público.

“Seja através da reconstituição da “Última Ceia”, de Hodart, seja através do conjunto de hotspots que vão ficar espalhados à volta do mosteiro, vamos conseguir visualizar aquilo que o tempo não trouxe até nós”, salientou Suzana Menezes.

A mostra pode ser visitada de terça-feira a sábado, das 13H00 às 18H00, e tem curadoria de Rui Lobo, João Mendes Ribeiro, Mauro Costa Couceiro e Susana Lobo, sendo uma coprodução de um projeto de investigação do Centro de Estudos Sociais, da Universidade de Coimbra com a Câmara Municipal de Coimbra.

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