CASA funda projetos de apoio a pessoas carenciadas

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No exterior do Pátio da Inquisição, em Coimbra, às 21H30, é possível ver, de segunda-feira a domingo, uma fila ordenada para o Centro Municipal de Integração Social (CMIS). Aqui, vários utentes levantam uma refeição diária, oferecida pelo Centro de Apoio ao Sem-Abrigo (CASA).

O DIÁRIO AS BEIRAS foi conhecer o trabalho desta instituição de solidariedade social fundada originalmente em Lisboa, em 2002, e criada em Coimbra no ano de 2007.

À entrada, uma mesa separa os utentes dos voluntários – medidas aplicadas devido à covid-19. Nessa mesa está o documento em que constam os nomes dos utentes, onde o técnico do CASA, João Silva, assinala quem já recebeu a sua ajuda diária.

O apoio é, de segunda a sexta-feira, um reforço alimentar com mantimentos como pão, bolos ou fruta que vão conseguindo angariar ao longo da semana. Nestes dias, cabe à Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel (CERSI) servir uma refeição completa.

Já aos sábados, domingos e feriados, com a Cozinha Económica fechada, o CASA vai mais longe e serve sopa, prato principal e fruta. Para tal, há donativos de empresas e até da população.

Chega a hora de entregar os alimentos. É uma quarta-feira.

As pessoas começam, uma a uma, a recolher o seu saco com três bolos e duas sandes cada. João Silva pergunta se têm consigo o saco de pano que anteriormente lhes tinha dado. “É para poupar um bocadinho no plástico”, diz.

Nem todos cumpriram o pedido. Quem não levou o saco de tecido, acabou por transportar os seus alimentos num saco de plástico.

O colaborador pergunta como estão os utentes, estes falam sobre a sua saúde, sobre a sua vida. João dá-lhes informações sobre as próximas sessões de sensibilização do CASA. As pessoas agradecem. Trocam-se palavras curtas porque a fila é longa. Guardam-se os sorrisos dentro das máscaras.

João Silva conta que colabora com o centro desde abril de 2021. Nas suas palavras, foi “à caça da experiência” quando, no ano passado, trabalhava para uma outra instituição, mas decidiu agarrar a oportunidade de ingressar no CASA.
Aqui, o técnico entrevista os requerentes de apoio. Afinal, é necessário entender quem precisa de auxílio. Conhece-se as suas condições habitacionais e rendimentos.

Helena Igreja, coordenadora do projeto “Movimentações: movimento para uma cidadania ativa”, abrangido pelo Programa de Contratos Locais de Desenvolvimento Social (CLDS) e responsável pela gestão de projetos do CASA, explica que, quando um utente aparece pela primeira vez, “ninguém fica sem comida”. É-lhe, contudo, solicitado o seu contacto para uma posterior recolha de dados pela instituição.

Atividades de Integração

O CASA não se limita, porém, a fornecer alimentos a quem a ele se dirige. Quer-se mudar vidas.

A coordenadora considera que as associações devem ser empreendedoras e que o auxílio aos mais carenciados passa por ajudá-los a “conseguir o seu prato de comida”.

Assim, além da entrega de alimentos, o CASA promove igualmente ações de sensibilização. A par com o CLDS, “Movimentações: movimento para uma cidadania ativa”, organiza reuniões de orientação à procura de emprego, formação e qualificação. Existem, pois, 13 atividades a funcionar e dentro de cada ação há um treino de competências para a integração socioprofissional.

O objetivo é, além de ajudar os utentes a encontrarem um novo emprego, auxilia-los a trabalhar e a desenvolver novas competências. “Não damos só o peixe. Ensinamos a pescar”, diz Helena Igreja.

O público-alvo destas ações é variado e vai desde desempregados de longa duração e beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) a jovens à procura do primeiro emprego.

Outro eixo de intervenção é virado para a questão familiar e parental, bem como para a prevenção da pobreza infantil. O foco são crianças e jovens com deficiência, assim como famílias das camadas mais carenciadas. A coordenadora esclarece que as famílias e jovens deste eixo acabam por ser também envolvidas nas formações de integração socioprofissional.

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