Opinião: Davos 22

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Arranca esta semana o Fórum de Davos 22 organizado pelo Fórum Económico Mundial (WEF). Apesar de virtual, esta edição promete ser uma das mais interessantes até à data, devido à magnitude dos recentes eventos globais e desafi os que a sociedade enfrenta. Com a pandemia como catalisador e o foco principal na ação climática e combate às desigualdades, este ano o fórum concentra o seu capital de agendasetter na capacidade de costurar agendas entre governos, empresas e sociedade civil num cenário internacional cada vez mais tenso e polarizado.

Na série de sessões virtuais que decorrerão entre hoje e sexta-feira, o mote é “Working Together, Restoring Trust”. Em tempos de transição para o dito novo normal que parece trazer-nos tudo ao contrário do que antes tínhamos como normalidade, o fórum de Davos é um bom início de conversa para 2022.

A agenda de Davos não apenas traz o elementar diálogo civilizado entre as partes, cada vez mais escasso na cena internacional, como tem a rara valia de mobilizar o capital humano e social à altura da complexidade exponencial que enfrentamos. Da emergência climática, ao futuro do trabalho, da desigualdade racial e de género à desigualdade vacinal, a agenda de Davos mobiliza algumas vozes que se espera que façam eco ao longo de 2022 e na década, nomeadamente através da governação dos países que impacta as pessoas diretamente.

Do desafio às velhas teorias de economia pública pela economista Mariana Mazzucato, à realidade de 2050 entre o futuro pós-quântico e o modelo de capitalismo perfeito pela voz do físico e futurista Michio Kaku, o fórum de Davos, mesmo em modo virtual, terá a capacidade de fi xar a atenção dos líderes globais em ideias e soluções, durante alguns dias. Por último, é ainda justo salientar que são espaços como o WEF-Davos que têm vindo a equilibrar o multilateralismo ultrapassado da ONU, como plataformas de nivelamento da voz de todos por igual: os estados, sociedade e empresas focados em missões programáticas de cooperação, sem ter que discutir o futuro a esbarrar com o status-quo institucional que o século passado ditou.

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