Opinião: Consequências das cheias no setor de Mineração no Brasil

Posted by

O desenvolvimento do setor de mineração no Brasil teve seu início no século XVIII durante a colonização Portuguesa, conhecida como época de Mineração Colonial no Brasil.
Ciclo de ouro, período do principal setor da economia colonial que se estendeu até final do século XVIII, originou migração de recursos para a região de Minas Gerais (localização das principais reservas de ouro).
Hoje, setor de Mineração representa 4% do PIB, contribuindo com 25% das exportações do país, além de ser pólo gerador de emprego e renda. Apesar da descentralização do extratitivismo mineral relativamente ao Sudeste (Minas Gerais), Norte (Pará), Nordeste (Bahia) e Centro Oeste (Goiás e Mato Grosso) tem crescido bastante no mapa da mineração, Minas Gerais contribui com 50% da produção nacional de materiais metálicos.
Mineradoras, para além da extração de minérios, são responsáveis pela construção (e monitoramento) das barragens que acomodam os rejeitos provenientes da operação. Ciclos de superprodução, juntamente com períodos de elevada pluviosidade, geram pressão extra que obrigam a cuidados adicionais para evitar situações de rompimento. Atualmente, existem cerca de 800 barragens de rejeitos distribuídas por todo o país.
Os acidentes das barragens de Mariana ( 2015 ) e Brumadinho
( 2019 ), são apenas alguns episódios de um triste passado recente que resultaram em tragédias ambientais e humanas numa escala sem precedentes. No seguimento do desastre de Brumadino, a Agência Nacional de Mineração publicou novas normas em Diário Oficial da União, que entre outras atividades obrigava a inclusão de mais barragens que monitoramento automático em tempo real e integral.
Nas últimas semanas, novamente assistimos a episódios de transbordo de barragens, com maior destaque para a Barragem de Mina de Pau Branco da mineradora francesa Valloreca, localizada na região metropolitana de Belo Horizonte. A empresa recebeu um auto de infração da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais, que prevê uma multa de cerca de R$ 290 milhões pelos danos ambientais.
O Governo de Minas Gerais e o Ministério Publico, solicitaram as mineradoras responsáveis por barragens em risco de rompimento, apresentação de relatórios relativos a segurança das estruturas. Em função das fortes chuvas que continuam a assolar o estado de Minas Gerais, algumas empresas decidiram suspender suas operações, em virtude da capacidade de barragens e interdições de rodovias, até que a situação se normalize.
Maior desafio para os envolvidos, passa por conciliar os ciclos de superprodução com as boas práticas sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.