Votação do orçamento da câmara da Figueira da Foz adiada para negociações

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FOTO DB/JOT’ALVES

A votação do Orçamento do Município foi adiada, para dar espaço a negociações entre o executivo camarário minoritário do movimento independente Figueira A Primeira (FAP) e a oposição. A reunião de câmara, que decorreu esta sexta-feira, foi suspensa e será retomada no dia 15. Entretanto, a vereação liderada por Pedro Santana Lopes irá analisar as propostas de alteração dos vereadores do PS e do PSD.

Na nota introdutória, o presidente de Câmara da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, esclareceu as opções do orçamento e defendeu os valores da “estabilidade” e da “continuidade”. Por isso, sustentou que a proposta do FAP traduz as consequências dos compromissos assumidos, quer a nível nacional, local e intermunicipal.

Pedro Santana Lopes acrescentou que “este orçamento está de acordo com as prioridades dos tempos que vivemos”, com “três pandemias: saúde pública, económica e social”. Por outro lado, garantiu que nenhum dos projetos assumidos pelo anterior executivo camarário (PS) foi abandonado. Contudo, a oposição não se reviu na proposta e anunciou que não viabilizaria a versão apresentada, ao mesmo tempo que criticava a falta de diálogo prévio, por parte do FAP.

“Órfão e sem estratégia”

O primeiro vereador da oposição a intervir foi Ricardo Silva, o único eleito do PSD na vereação. “Este é o orçamento da desilusão, da estagnação, sem estratégia de desenvolvimento sustentado e pior do despesismo”, atirou. “Este orçamento mantém a trajetória de aumento da despesa corrente dos últimos quatro anos. Este orçamento tem um aumento 4,6 milhões de euros só na aquisição de bens e serviços: aumenta 3,5 milhões de euros face a 2021. É um orçamento de continuidade para pior”, acrescentou.

Do lado do PS falaram os quatro vereadores – Nuno Gonçalves, Mafalda Azenha, Ana Carvalho e Carlos Monteiro. Cada um à sua maneira, nenhum poupou reparos. “Estamos hoje aqui para votar o orçamento municipal para 2022, um orçamento que, à partida, é órfão e sem estratégia”, introduziu Carlos Monteiro, que até 17 de outubro, e durante dois anos e meio, foi presidente da Câmara da Figueira da Foz.

“É um orçamento sem estratégia, porque não prevê a execução do programa da FAP. E, diga-se, muitas das medidas aí previstas eram as que constavam do programa eleitoral do PS, na linha de continuidade da ação do anterior executivo. É um orçamento sem estratégia, igualmente porque nele não vislumbramos rubricas ou medidas orientadoras cuja visão seja capaz de estimular”, acentuou ainda o edil da oposição.

“A estratégia é atravessar esta tormenta”

Os vereadores do PS e do PSD propõem, sobretudo, cortes na despesa corrente. Por outro lado, o principal partido da oposição advogou mais investimentos nas freguesias. Uma das rubricas contemplava 670 mil euros para o programa de animação de Natal e passagem de ano de 2022. Verba previsional que até surpreendeu Pedro Santana Lopes. “Só se vierem os Rolling Stones em versão rejuvenescida…,” gracejou o presidente.

O técnico da autarquia responsável pelas finanças, no entanto, esclareceu que aquela quantia incluía o pagamento do montante do programa deste ano.

O presidente rebateu cada um dos argumentos da oposição, rejeitando que se trate de um orçamento órfão e sem estratégia. “A estratégia é atravessar esta tormenta [da pandemia]”, apontou. Mas, para Ricardo Silva, ressalvou, “mesmo que fosse um orçamento só com receitas”, ele estaria contra. Não obstante, Pedro Santana Lopes concordou em abrir negociações com a oposição.

Por outro lado, o líder do executivo camarário reconheceu que deveria ter dialogado previamente com a oposição, E não o fez, afiançou, devido à falta de tempo e ao “turbilhão” de trabalho que o documento e outros assuntos exigem, estando com menos de dois meses de mandato.

“Não pode chumbar o orçamento. Se quiser chumbar, quem paga são os figueirenses”, defendeu Pedro Santana Lopes, dirigindo-se a Carlos Monteiro. “Estamos amarrados aos seus projetos”, disse ainda. “Se quiser deixá-los cair, está à vontade”, retorquiu o socialista.

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