Orçamento da Figueira da Foz adiado para negociações entre executivo e oposição

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“Foto: DR”

O presidente do município da Figueira da Foz suspendeu hoje a reunião do executivo para votação do Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2022, depois de a oposição ter ameaçado chumbar os documentos.

Pedro Santana Lopes, eleito pelo movimento Figueira à Frente, que venceu as últimas eleições autárquicas sem maioria absoluta, elegendo quatro vereadores, aceitou o repto do socialista Carlos Monteiro, antigo presidente da Câmara, para efetuar algumas alterações.

“Já estava à espera [desta situação], faz parte. Inspirados no modelo da geringonça, vamos tentar fazer negociações”, disse o presidente da Câmara aos jornalistas, depois de ter suspendido a reunião para contactos com os vereadores do PS (4) e do PSD (1).

A reunião será retomada, segundo Santana Lopes, “em dia e hora a fixar”.

O autarca assumiu que deveria ter reunido com a oposição antes de apresentar os documentos.

“Dou-vos razão nesse ponto. Devia ter existido conversas prévias”, referiu, na reunião, o presidente do município, mostrando-se disponível para as negociações e propostas de alteração.

O orçamento para 2022, no montante de cerca de 83,4 milhões de euros, “tem uma preocupação fundamental, que é assegurar a gestão do município neste tempo de incerteza e de excecionalidade” causada pela pandemia da covid-19, disse.

Santana Lopes disse que o Orçamento “não contém novidades, nem médias nem pequenas, e traduz os compromissos assumidos”, sendo “muito idêntico” ao de 2020, e que não houve “nenhuma orientação a dizer ‘ponham isto ou tirem aquilo do mandato anterior’”.

“A nossa estratégia passou por não haver o mínimo desvio ao que vinha a ser feito, a não ser que fosse um erro crasso”, considerou o autarca, admitindo que, para 2023, possa apresentar um orçamento que já contemple o programa sufragado nas últimas eleições autárquicas.

A oposição, em maioria no executivo, acusou o executivo de não ter estratégia e de apresentar um significativo aumento de despesas correntes, o que Santana Lopes atribui aos compromissos assumidos nos projetos anteriormente candidatados e em fase de aprovação.

“Fico preocupado. O Orçamento parece órfão e sem estratégia, porque não prevê a execução do programa do movimento Figueira à Frente”, salientou o socialista Carlos Monteiro, criticando o aumento de despesa corrente e a falta de inscrição de transferência de verbas para as Juntas de Freguesia.

O único vereador eleito pelo PSD, Ricardo Silva, considerou o documento “uma desilusão, estagnação e despesismo para quem dizia que ia romper com o passado”.

”É um orçamento de continuidade para pior”, disse o social-democrata, queixando-se de o presidente da autarquia não ter consultado a oposição e não ter reunido com os presidentes de Junta de Freguesia.

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