Opinião – Bartolomeu, o correio de diamantes

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Nas cidades mineiras de Port Nolloth e Alexander Bay, noroeste da África do Sul, na notóriaDiamond Coast, amarram-se diamantes aos pombos. Bartolomeu é um deles. Esta região do litoral sul-africano esteve fechada ao público durante cerca de 80 anos. O contrabando de diamantes com pombos, que abastece um mercado global, remonta à fundação da Anglo-Sul-africana De Beers, na década de 1870. Porém, quando a ganância é muita, as aves, exaustas e sobrecarregadas de pedras, começam a vacilar e a pousar aleatoriamente ao longo das praias.
Bartolomeu conhece muito bem a longa e difícil travessia do deserto até à mina. Sabe como é arriscado voar debaixo de intenso calor com muitos diamantes amarrados às patas. E também sabe que a empresa se ‘infiltrou’ no Governo local, que declarou ‘ilegal’ a criação de pombos na região. Ainda assim, muitos arriscam criar pombos secretamente para saírem do isolamento através do contrabando das pedras. Não é vida fácil.
No lado sul-africano da fronteira com a Namíbia, na região de Namaqualand, o deserto árido estende-se por mais de 400 mil quilómetros. Bartolomeu consegue observar de longe, lá em baixo, o isolamento das pequenas cidades, mas também, homens armados nas estradas de acesso privado a Port Nolloth. Sabe que atiram a matar. Mas vale-lhe a experiência na arte de ser invisível no contrabando por entre as areias do deserto do litoral sul-africano, como constatou Matthew Frank no seu livro Flight of the Diamond Smugglers. Somente quando os abutres circulam por perto, é que Bartolomeu se esconde no céu.
Talvez um dia, Bartolomeu tenha a sorte, como aconteceu em 2004, de levar também para casa um diamante perfeito, para ser vendido por mais de 1 milhão de dólares americanos. Até lá, vai ter de continuar a enfrentar as areias do deserto africano e os homens armados que são bem pagos para manterem a população longe da exploração mineira que pode exceder os 176 milhões de quilates por ano.

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