Opinião – Acreditar

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O processo da crença é completamente irracional e baseia-se numa força interpretativa. Já a acreditação é um processo racional, elaborado por alguns gestores que exigem certificações e diplomas e inspeções para garantir o que só a pratica e a habilidade garantem – a qualidade. Eh pá Diogo, isso é um discurso contra o estado actual do mundo. De facto, a explosão demográfica pode ser a culpada deste novo mundo onde muitos incapazes, outros ineptos, outros incultos chegam longe e defendem-se atrás de documentos para nunca tomarem uma decisão. É o mundo «in» onde a negatividade abunda. Há o mundo «b» – o da boa-fé, o da bonomia, o do bem-me-quer, que hoje está afogado na desconfiança, na incerteza, na dúvida de caracter. Eu sou irracionalmente crente na cidadania e reconheço uma pessoa de bem nos actos, no estar à mesa, no modo como expõe as suas ideias, no temperamento na estrada, na elegância ao jogo, na sua postura familiar, na forma como responde ao ser contrariado. Esta crença não tem certificação, não tem forma de ser avaliada. Acredito em pessoas que defendem os seus concidadãos, que se expõem na defesa de princípios, que não entram em jogadas. Acredito na honra militar, que sai por vezes triste porque uns canalhas se aproveitam dela. Acredito que a maior parte dos cidadãos faz política para melhorar o espaço comum e no entanto há uma quantidade de cachorros que morde as mamas da cadela. Não há cadela que aguente estes cães e não há modo certificado de os parar. A cadela não aguenta com médicos que só olham para o dinheiro, não gosta de engenheiros que poupam no material de construção, não percebe banqueiros que roubam o povo, não entende que alguns tenham salários congelados há mais de doze anos, não devia dar leite à TAP, às derrapagens da CP, ao desvario do Novo Banco. Há mais cachorros destes e por isso Portugal enrosca-se, lambe as mãos e parece chorosa. Não há cadela para tanto cachorro.

Temos de mudar a estratégia escolhendo melhor gente, impedindo a corruptela de formigueiro, não aceitando esta vilania da distribuição dos lugares sem ser por concursos e por méritos de percurso e de carreira. Claro que quem exerce o poder tem de ser vigiado, auditado, e justamente apreciado, o que impediria a vilanagem dos meios de comunicação, a exposição antes do julgamento.

Oh Diogo o mundo não é perfeito!

O mundo é melhor quando temos gente que decide, gente que escolhe, poder que explica a opção, que é transparente, que vai sobre os sinais exteriores de riqueza, sobre os sinais inexplicáveis de fartar vilanagem. Neste ponto sempre estive com o Bloco de Esquerda – o ónus da prova deve estar em quem compra um Ferrari ganhando salário mínimo. O ónus da prova tem de ir para quem vive como um nababo sem herança e sem salário.

O típico da crença e da acreditação é esta coisa imbecil que assistimos no campeonato nacional onde todos cumpriram os regulamentos, todos fizeram o certificado e auditado e a vergonha manchou Portugal. O Belenenses deixou a decisão, o Benfica cumpriu, a DGS deixou passar a onda, a Liga esperou. Bastava haver alguém que dissesse – assim nunca. Haja vergonha!

Eu creio em pessoas capazes e tenho nelas uma fé de liderança. Hoje somos dirigidos por abrigados, por protegidos, por moços de recado, por pedintes de lugares, por incapazes por si sós de se governarem e como os salários públicos são baixos os partidos oferecem o poder a primos, amigos, pobres diabos que terminam sempre em vergonha e desonra. A doença recente é outro exemplo disto tudo.

 

Diogo Cabrita escreve ao sábado, semanalmente

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