Opinião: Valha-nos a “Resiliência”

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Quando em Março de 2020 Portugal percebeu, tardiamente, que a pandemia era uma realidade instalada e que as suas consequências se afiguravam devastadoras, todos antecipámos o incansável papel que os profissionais de saúde viriam a ter num período sem paralelo da nossa história recente. A todos Estes rogámos altruísmo e elogiámos dedicação. Assumimo-nos gratos.
Montou-se o palco e transformámos políticos em atores principais de uma peça cujo enredo revelaram desconhecer, bem como permitimos que cada um de nós comentasse o desconhecido com a soberba de um douto.
A memória recorda-nos a inadequação das estruturas físicas dos nossos equipamentos de saúde e a total ausência de recursos, bem como a desorganização estruturante perante o desconhecido, obrigando-nos a consciência, num genuíno exercício de honestidade intelectual, a reconhecer que os momentos de desespero só foram suplantados por força da capacidade de superação de todos os profissionais de saúde. Para estes, os dias deixaram de ter horas, reinventaram rotinas, venceram adversidades e devolveram esperança.
Para os políticos, e logo que convictos de que a tormenta havia sido ultrapassada, cedo se permitiram questionar competências dos proclamados “heróis” de ontem, mesmo que inadvertidamente, considerados de “pouco resilientes”, sendo a resiliência, porventura, a principal característica que estamos obrigados a reconhecer a todos os que abraçaram a missão de combater a pandemia.

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