Opinião: Uma casa com 300 mil anos

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Conheci os Naledi na região montanhosa de Cradle-Magaliesberg, cerca de 30km a noroeste de Joanesburgo. Aqui viveram e prosperaram há 200 mil a 300 mil anos atrás.
Os restos mortais dos primeiros 15 indivíduos desta antiga espécie humana, classificada dentro do género Homo, ao qual pertence o homem moderno, e apelidada de ‘estrela’ em Sesotho, foram encontrados neste mesmo local em 2015.
Esta semana, os paleontólogos sul-africanos juntaram mais um elemento à família com a descoberta na mesma caverna subterrânea, quase inacessível com menos de 10 centímetros de largura, de uma parte do crânio de uma criança hominídeo, aparentemente deixada numa alcova pelos Naledi há cerca de 250 mil anos atrás.
Acredita-se que a criança provavelmente tinha apenas quatro a seis anos quando morreu, ainda com os dentes de leite intactos.
Para os investigadores da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, a descoberta de vinte e oito fragmentos do minúsculo crânio e seis dentes minúsculos, a 12 metros da anterior descoberta, revelou evidências de um comportamento ancestral, símbolo de pesar e possivelmente crença.
Na opinião do paleontólogo Lee Berger e líder da pesquisa “é um mistério o que de incrível aconteceu nesta caverna há 200 mil a 300 mil anos atrás.”
As cavernas do ‘Berço da Humanidade’, em Maropeng, nas montanhas de Cradle-Magaliesberg, abrem uma janela de quase 4 milhões de anos sobre a origem da espécie humana no continente africano.
Nos 47.000 hectares de biosfera e riquíssimos sítios arqueológicos que os cientistas sul-africanos têm vindo a preservar e estudar desde 1895, já foram encontrados pelo menos 2 mil fósseis de hominídeos mais antigos do planeta, agora reunidos em esqueletos parciais de mais de vinte indivíduos, permitindo conhecer a nossa evolução.
De notar que há 500 milhões de anos atrás, a região de Cradle-Magaliesberg ficava sob o Polo Sul da Terra.

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