Opinião: Mais mulheres na Tecnologia – a “culpa” é da Web Summit?

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Numa coluna de transformação digital, onde, no meu caso, pretendo escrever sobre educação, formação profissional, igualdade e inclusão, desafios e novas profissões e o futuro, escrevendo a seguir a uma semana em que se falou quase tanto da Web Summit como de futebol e da crise política e futuras eleições, é fundamental escrever sobre a forma como a Web Summit atrai pessoas para as tecnologias. A Web Summit é referida como sendo a maior conferência da Europa em tecnologias, realizada anualmente em Lisboa desde 2016. Desde que este evento foi dado a conhecer ao país que ficámos encantados com os holofotes que seriam postos no Parque das Nações para brilharmos para o mundo. Nós, Portugueses, sabemos fazer isso muito bem desde que aprendemos a quebrar o enguiço de nos considerarmos uns “azarados” do último momento.
Nesta última semana, praticamente todas as pessoas com quem temos conexão nas redes sociais, independentemente da sua área profissional, postaram algo relacionado com a Web Summit ou fotos comprovando que estavam lá. Sem dúvida que este evento contribui para projetar o glamour da tecnologia, quase como se tratasse de uma antestreia de um importante e aguardado filme do James Bond ou de heróis da Marvel. Se antes ninguém fazia ideia de quem era o Irlandês Paddy Cosgrave, agora, se mencionarmos este nome, eu diria que muita gente sabe já que é o organizador da Web Summit e um dos que contribuem para a democratização do acesso à tecnologia. Porém, a razão de falar do evento aqui não é apenas o evento em si e a sua capacidade de magnetizar a sociedade em torno dele. Escrevo porque há boas notícias sobre a igualdade de género em tecnologias: Cosgrave anunciou que o número de mulheres participantes na Web Summit 2021 foi 50, 5%, sendo que a organização atribui o crescimento ao lançamento da Women in Tech da Web Summit e atividades dinamizadas nesse âmbito. Outro número importante (e anunciado na Web Summit), resultante da parceria entre a Huawei Portugal, INCode20.30 e Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), corresponde a 50 bolsas de estudo para as áreas de engenharia, sendo que 50% serão para mulheres. Num Universo onde, segundo dados de 2020, as mulheres especialistas diplomadas e empregadas em TIC em Portugal representavam pouco mais de 20% do total desses profissionais, estas notícias são sempre bem-vindas.
Marcelo Rebelo de Sousa – presença assídua neste evento – já perspetivou a possibilidade de a Web Summit ultrapassar 100.000 participantes em 2022 – em 2019 estiveram presentes mais de 70.000 participantes, 2020 decorreu apenas online e 2021 foi restrito a cerca de 47.000. Se assim for, 100.000 de nós terão oportunidade de ficar encantados presencialmente com este universo high tech, o qual nos faz parecer dentro de uma bolha de futuro, ouvir centenas de oradores e as mais de 1.500 startups que se apresentam em cada ano. Sugiro às jovens alunas que têm dúvidas sobre o que o que farão no seu futuro profissional: visitem a Web Summit! Este evento projeta uma parte do mundo que queremos fazer crescer e onde queremos ter lugar e decidir. E quanto mais precocemente nos envolvermos nele, melhor!

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