Reitor propõe a criação de uma nova área metropolitana em Coimbra

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DB-Pedro Ramos

O reitor da Universidade de Coimbra (UC), Amílcar Falcão, defendeu hoje a criação de uma nova área metropolitana no país, por forma a combater o efeito “eucalipto” de Lisboa e do Porto.

“Com a acentuada bipolarização do país em duas áreas metropolitanas “eucalipto”, lesivas para as instituições democráticas e catalisadoras de populismos indesejáveis, defendo que cabe à Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra o relevante papel de dinamizar, com caráter de urgência, a criação de uma nova área metropolitana no país – a ‘Coimbra Bauhaus’”, afirmou Amílcar Falcão, que discursava durante a cerimónia da abertura solene das aulas da UC.

O reitor fez alusão ao nome da escola de arte alemã com grande influência na arquitetura ocidental, que também dá nome a uma iniciativa lançada pela Comissão Europeia – Novo Bauhaus Europeu – que procura enquadrar a transição climática com um movimento cultural e estético.

“A ‘Coimbra Bauhaus’ deverá constituir-se como sendo uma área metropolitana geneticamente inovadora, refutando a lógica de ‘escritórios’ e ‘dormitórios’, promovendo isso sim uma lógica de mobilidade inteligente, coesão territorial e sustentabilidade nas suas mais variadas vertentes”, afirmou.

Amílcar Falcão propõe “uma área metropolitana inclusiva – espelho de beleza, ciência e cultura -, centrada nas pessoas, na sua qualidade de vida e na proteção ambiental”.

Durante o seu discurso, o reitor da UC lançou também alertas para a gestão e aplicação dos diversos pacotes de financiamento europeu previstos para os próximos anos, reiterando a necessidade de um processo transparente no que toca às decisões e salientando que é necessário que o dinheiro europeu não pode servir “como argumento para o corte de financiamento estatal”.

“O subfinanciamento [do ensino superior] é uma contrariedade crónica já com muitos anos acumulados e que não se resolve com a simples aplicação de uma qualquer fórmula de financiamento, e muito menos com uma fórmula tão desfasada da realidade, por ter sido desenvolvida há quase década e meia”, notou.

Nesse sentido, o reitor considerou que é fundamental um “investimento estratégico na formação avançada” que permita que os orçamentos das instituições “possam crescer e ajustar-se à realidade”.

Na sua intervenção, o reitor criticou ainda a precariedade do emprego científico e a ausência da revisão das tabelas salariais dos docentes.

Na cerimónia, também discursou o presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), João Assunção, que voltou a defender a revisão do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES), diploma que “institui a quase total ausência da participação e intervenção estudantil nos órgãos de governo das suas instituições”.

“O afastamento do estudante do núcleo de definição e decisão da sua faculdade e da sua universidade é algo que nos deve fazer pensar se é este o ensino superior que o país precisa”, criticou.

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