Opinião: Odisseia no Criptoespaço

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Podemos caraterizar o Criptoespaço como uma plataforma emergente de produção, transporte e distribuição de dados e informação criptografada (protegida) no seio do qual a sociedade e a economia podem operar através de atos normalíssimos de imaginação, criação, troca e financiamento, mantendo os níveis de consenso e decisão através de contratos inteligentes e autónomos, fazendo uso de mecanismos de custódia e manutenção segura de valores tanto materiais (com representação digital) quanto imateriais (já digitalizados).
A partir de 2008 com a publicação do paper de Satoshi Nakamoto, o pseudónimo que está na base do desenvolvimento das redes Blockchain (cadeias de blocos de dados interligados) e das criptomoedas, que a Criptografia vem tomando gradualmente o quotidiano de milhões de pessoas pelo mundo e alguns milhares em Portugal , embora por vezes isso não seja facilmente observável .
Devemos recordar que a sociedade está a trilhar um Criptoespaço ainda muito embrionário, por enquanto uma ágora jovem que começou por ser para “geeks” e “nerds” que se confundiam com defensores de teses ciberlibertárias. Tal estigma contudo, tem vindo a mudar fruto da necessidade objetiva que as novas gerações ( millenial e geração Z ) sentem para criar o seu próprio espaço e transformar a sociedade num lugar maior, mais transparente, responsável e tendencialmente mais confiável.
O Criptoespaço, fazendo uso de tecnologias Blockchain poderá desempenhar um papel fundamental no quadro geral da transição para uma Transformação Digital sustentada em protocolos de confiança (trust), com capacidade para estabelecer elos de conexão entre o mundo físico das pessoas e das coisas, com o mundo digital dos objetos e artefactos imateriais.
Tal como há trinta anos a Internet e os telemóveis celulares encurtaram o espaço e o tempo, surge agora uma onda de inovação e cratividade para o lado de uma governabilidade humano-técnica, através de mecanismos de consenso que fazem emergir um território de oportunidades para investidores, empreendedores, desenvolvedores, marketeers, gestores de talento, mentores, enfim … uma odisseia de talentos para a qual será necessário mobilizar meios de educação e formação para desenvolver personalidades e entidades aptas a trabalhar e viver em ambientes pervasivos e imersivos, dando sentido e visibilidade aos Criptosapiens, capazes de estabelecer relações equilibradas entre o espaço real e os multiversos constituídos pelos espaços virtuais e de realidade aumentada.
Para que uma Odisseia no Criptoespaço possa realizar-se de modo sustentável é necessário que pessoas, empresas e instituições se apropriem de novas palavras e outra linguagem, tal significará também uma forma de estar e se relacionar com quotidianos digitais emergentes. Palavras como criptoativos, criptomoedas, moedas digitais, carteiras, custódia e “pools” de liquidez, que já fazem parte do léxico de milhares serão em breve um meio, mensagem e instrumento para criar, produzir, distribuir e usufruir de uma sociedade mais livre, porque mais conhecedora e responsável.

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