Opinião: Mudando de assunto

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Na época gripal de 2021/22, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) deverá disponibilizar cerca de 2,24 milhões de doses de vacinas contra a Gripe, um aumento de 146 mil doses relativamente a 2020/21 (+ 7%), 200 mil das quais a ser administradas pelas farmácias de oficina a pessoas com mais de 65 anos. Ao referido número acrescem 700 mil vacinas, a adquirir pelas farmácias, designadamente para administração privada a pessoas de grupos de risco, mediante apresentação de receita médica.

A ser assim, Portugal disporá, na próxima época gripal, de um total de 2,94 milhões de vacinas contra a Gripe, um contingente que a Direção-Geral da Saúde (DGS) considera suficiente, atendendo a que se estima que habitualmente seja vacinada cerca de 70% da população idosa alvo. Apesar da referida convicção da DGS, estes 3 milhões de vacinas podem revelar-se insuficientes, já que:

– Em Portugal vivem atualmente perto de 4,8 milhões de pessoas alvos potenciais de vacinação [ 2,3 milhões de idosos, 4 milhões de doentes crónicos ( 2 milhões com menos de 65 anos), 300 mil profissionais de saúde, 60 mil grávidas, 40 mil agentes de forças policiais e 10 mil reclusos];

– A Gripe pode ser mais agressiva este Inverno, já que foi quase inexistente no anterior (o Instituto Ricardo Jorge não atribuiu mortes ao vírus da gripe), prevendo-se aumento das infeções.

– A vacina contra a gripe pode ser menos eficaz este Inverno, dado que os laboratórios não puderam recolher todos os dados necessários durante a pandemia de Covid-19, devido às restrições impostas;

– O previsível fim próximo da fase pandémica, levando a uma diminuição das medidas de distanciamento físico e de desleixo na utilização de equipamentos de proteção e de hábitos de higiene poderá conduzir a um natural aumento da transmissibilidade do vírus da Gripe entre a população, podendo tal também pressionar a procura de vacinas.

Ademais, estimando-se que a taxa de vacinação atinja os 70% na população idosa ( 1,6 milhões) e 60% na restante população alvo ( 1,4 milhões), não pode excluir-se uma procura da vacina por um número superior aos 3 milhões de doses adquiridas (sem contar com outras pessoas que não preencham os requisitos para integrarem grupos de risco e que também pretendam ser vacinadas).

De recordar, finalmente, que, em Outubro de 2020, a Ministra da Saúde garantiu que o País teria vacinas da gripe para todas as pessoas que a quisessem tomar, situação que não se verificou. Na altura ficou também em causa o compromisso que o Presidente da República afirmara ter da referida governante, de que “até à primeira semana de dezembro, a partir deste momento, e durante o mês de novembro, progressivamente, todos os que queiram vacinar-se irão vacinar-se”.

A minha atividade na semana passada

A semana passada, em virtude das eleições autárquicas, não houve trabalhos Parlamentares dignos de registo. E sobre as eleições autárquicas, nomeadamente dos resultados em Coimbra, já disse o bastante no início da noite de 26 e que fica para memória futura. Para mim – e porque também cabe a outros, em que confio, o árduo trabalho autárquico futuro, mudemos de assunto. Por enquanto.

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