Opinião: Desinfodemia

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A COVID-19 acelerou uma pandemia paralela de desinformação que ameaça e afeta diretamente o valor da vida humana. As falsidades e a desinformação revelaram-se mortíferas e semearam confusão sobre as escolhas pessoais e políticas que salvam vidas. Ao contrário da Covid-19, desta vez a solução parece passar não apenas pelo poder de prescrição de uma ciência mas por várias combinadas, da educação à regulação. Ainda que a weaponization da desinformação não seja um conceito recente para ninguém (e.g. tablóides), a escala de avalanche massificada, a crescente rapidez de propagação pela integração das tecnologias de comunicação e o atual cenário de polarização social são três ingredientes de combustão e complexidade acrescida. Alguns dados recentes, particularmente durante a pandemia, ajudam a compreender o impacto negativo e ausência de prescrição simples para o problema que afeta a capacidade humana, individual e social, de interpretar a realidade e fazer escolhas. Segundo um relatório do Center for Countering Digital Hate (CCDH), 65% da desinformação vacinal foi espalhada por 12 indivíduos. De acordo com este mesmo relatório, a exposição a uma pequena quantidade de desinformação vacinal reduziu o número de pessoas dispostas a tomar uma vacina COVID em até 8,8 por cento. Esta investigação concluiu ainda que as redes sociais e plataformas não atuaram em cerca de 95% da desinformação vacinal que lhes foi comunicada. Esta parece ser agora uma corrida entre os bad guys semeando desinformação em massa e os good guys que lutam pela verdade e transparência factual de informações cada vez mais complexas e de ultra-rápido contágio. Não há “verificadores de factos” humanos e instituições capazes de acompanhar a quantidade de conteúdos produzidos e partilhados pela inteligência artificial. A maré desta pandemia instalada parece favorecer os bad guys neste novo normal.

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