Opinião – De Munique a Coimbra

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Em diversos países há cidades que reivindicam o título de “Capital Mundial da Cerveja”. Eu, que estou longe de ser especialista na matéria, inclino-me para reconhecer que a que melhor pode erguer esse galardão é Munique, a capital da Baviera.
Todos os anos, por esta altura, ali decorre a “Oktoberfest”, a famosíssima festa da cerveja, que costuma atrair mais de 5 milhões de visitantes, não só de outras zonas da Alemanha, mas também de muitos outros pontos do Mundo.
Coimbra também tem tradições cervejeiras. Desde logo uma fábrica que no século passado produzia duas das que eram consideradas entre as melhores cervejas da Europa, a Topázio e a Onix, graças à qualidade da água desta Região.
A este propósito recordo, com muita saudade, o dr. Simões, um antigo estudante de Coimbra que integrou uma excelente equipa de basquetebol da Académica no início dos anos 60 e viria a tornar-se Relações Públicas da Sociedade Central de Cervejas, muito contribuindo para divulgar a qualidade das cervejas coimbrãs.
No final do século passado, as cervejas de Coimbra deixaram de ser produzidas, a fábrica viria mesmo a ser abandonada, mas, em contrapartida, esta bebida começou a assumir um papel de relevo nas festas académicas de Coimbra, substituindo o espumante da Bairrada que era tradicional “animador” dos cortejos da “Queima das Fitas”.
Felizmente, um dinâmico empresário de Coimbra, Arnaldo Baptista, decidiu recuperar as famosas cervejas de Coimbra, instalando uma fábrica modelar que é também cervejaria-restaurante, a Praxis, onde até o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa é cliente.
Mas sejam as da Praxis, sejam quaisquer outras, as cervejas são feitas para beber, para saborear, não para tomar banho.
Vem isto a propósito do insólito hábito que se instalou desde há uns anos no Cortejo da Queima das Fitas, em que a cerveja, mais do que bebida por quem segue nos carros, é utilizada para encharcar quem está na rua a ver o desfile.
Este ano, por causa da pandemia, a tradicional “Oktoberfest” ainda não vai realizar-se em Munique.
Pelo contrário, e pela mesma razão, em Coimbra a Queima das Fitas vai ser a festa de Outubro, embora com observância das regras sanitárias, que obrigam a diversas alterações do tradicional programa de Maio.
Assim, este ano ainda não haverá cortejo, que será substituído por um desfile na “Praça da Canção”.
Ora esta pausa bem pode ser aproveitada para sensibilizar os actuais estudantes no sentido de que, em 2022, quando a “Queima” voltar aos seus moldes tradicionais, não haja banhos de cerveja.
Uma das características da “Queima” foi sempre a alegria esfusiante dos jovens alunos universitários e o carinho com que Coimbra sai à rua para ver passar os seus estudantes. Ora eu conheço muita gente, até familiares dos alunos, que deixaram de ir ver o cortejo porque não estão para sujeitar-se aos ditos banhos cervejais.
Aqui ficam votos de que a “Queima das Fitas” deste ano corra o melhor possível e que no próximo ano a festa da cerveja se faça. Mas em Munique!…

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