Opinião: “COP26 – O Clima na China e a Cimeira do Clima”

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Numa semana em que Macau foi fustigado por dois tufões e chuvas torrenciais só comparáveis com as ocorridas em 1952, nada mais apropriado que refletir um pouco sobre a delicada questão climática, onde o sudeste asiático se apresenta como uma das regiões mais vulneráveis do planeta, designadamente pela subida vertiginosa do nível do mar e consequente recuo das linhas costeiras, domicílio de 450 milhões de pessoas.
Às portas da COP26, importa relembrar que a China, ainda tarda na apresentação de um novo plano de redução de carbono, pese embora seja a responsável por cerca de metade da produção global de carvão, produzindo mais emissões de gases com efeito de estufa do que qualquer outro país do mundo.
Como principal emissor mundial de CO2, a China desempenha um papel absolutamente crucial no sucesso dos objetivos traçados pelo Acordo de Paris, sem os quais não será possível atingir a meta mundial de neutralidade carbónica em tempo útil para o planeta.
Se por um lado, Pequim dá sinais da sua determinação na transição para uma energia limpa através do fim do financiamento de centrais elétricas a carvão no estrangeiro, por outro estabelece o aumento nacional de produção de carvão, em virtude da crise energética vigente.
Ao carvão, juntam-se empresas estatais de petróleo e gás, onde só a Sinopec e a PetroChina, possuem emissões operacionais mais elevadas que qualquer outra companhia petrolífera mundial, nada tendo feito até ao momento para que este rumo se inverta.
Num tempo em que as relações diplomáticas entre as duas grandes potências, já tensas em matérias comerciais e de direitos humanos, se agudizaram devido à vaga de voos militares para Taiwan, a China preocupa-se na forma como o mundo a observa, tudo fazendo para que as suas ambições climáticas sejam realmente vistas como genuínas e no interesse do próprio país e não apenas como uma resposta à pressão internacional que tem vindo a enfrentar.
A construção de um dos maiores parques eólicos e solares do mundo a par do lançamento de um novo Fundo de 233 milhões de USD para ajudar países em desenvolvimento a proteger os seus habitats e a preservar espécies em vias de extinção, constituem apenas o preâmbulo de um conjunto de medidas concretas e cronologicamente datadas que se esperam ver anunciadas no COP26, reafirmando, assim, a reputação de país herói na ação climática e com isso e através disso assegurar o apoio a uma agenda geopolítica bem mais vasta.

Pode ler a opinião de Filipa Guadalupe, que reside em Macau, na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

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