Opinião: Capital mundial da contestação

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Foi a primeira grande marcha climática em Bruxelas desde o início da pandemia. No domingo passado, mais de 80 associações da sociedade civil belga juntaram-se na luta pela justiça climática. A iniciativa reivindica medidas fortes por parte do poder político, enquanto apela a uma sociedade mais respeitadora do clima, a semanas da conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas (COP26).
De acordo com uma estimativa da polícia, pelo menos 25 mil pessoas participaram nesta caminhada de três quilómetros que liga a estação de Bruxelas-Norte ao Parque do Cinquentenário, em pleno coração institucional da cidade. Os organizadores reivindicaram mais de 50 mil participantes. O tempo ajudou e não houve chuva para dissuadir os manifestantes.
Independentemente dos números, a moldura humana é impressionante – ver uma das artérias mais largas e compridas da cidade sem as habituais 5 faixas de rodagem preenchidas com carros no “pára-arranca” do costume, mas sim com manifestantes, cores, cartazes e bandeiras, é uma imagem com grande impacto.
Outro detalhe que salta à vista é a diversidade dos participantes nesta manifestação e, mais forte ainda, as gerações envolvidas – vão os avós, os pais e os netos, escuteiros, sindicatos, associações de ciclistas, agricultores, defesa dos animais e natureza, políticos,…
Sempre me fascinou como Bruxelas continua a acontecer, mesmo registando mais de mil manifestações por ano. Destas, mais de 80 % não têm qualquer ligação à Bélgica. São as consequências de ser “capital” da Europa, com tudo o que isso acarreta de bom e de mau…

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