Opinião: Banquete de Estado

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Recentemente Portugal tem assistido ao nascimento de novos partidos e movimentos políticos que deveriam motivar as forças partidárias tradicionais a perceber que o exercício da política deverá ser destituído de tacticismos pouco condizentes com o genuíno sentido de estado a que estes se deveriam obrigar.
Assumidos arautos dos seus princípios fundadores, facilmente constatamos que a identidade dos nossos partidos é de pronto secundarizada à “mesa” da negociação do orçamento de estado, confrontando-nos com as mais surpreendentes contradições.
Este “banquete” é uma novela de cedências e manobras teatrais que em nada respeitam a condição ideológica de cada Partido, relevando o exercício de uma política de “faz-de-conta” que privilegia o ego de “comensais” ávidos de protagonismo, assim justificando e conferindo uma maior legitimidade ao surgimento de novos movimentos e partidos políticos.
Nesta “mesa”, temos quem goste de carne e se assuma vegetariano, bem como quem gosta de peixe e apenas coma sushi por julgar que ainda é moda demonstrando que a preocupação maior é alimentar tendências.
Assim realizamos que os pilares essenciais a uma sociedade mais próspera estão invariavelmente hipotecados à estratégia que confira maior probabilidade de sucesso e poder, ignorando-se a inovação, a meritocracia e o empreendedorismo. Privilegia-se a equidade pela mediocridade, castrando quem ousar almejar sucesso.
À mesa do “banquete do estado” os “Vampiros” de Zeca Afonso não têm cor. Na verdade, “todos” comem tudo e não deixam nada.

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