Opinião: Ambiente off-road

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Sempre fui apaixonado pelo automobilismo em particular pelos campeonatos do Mundo de Rallys, de Fórmula 1 e do Le Mans Series.
No Rally de Portugal, primeiro TAP e depois Vinho do Porto, dos anos oitenta, fui grande adepto da dupla Joaquim Santos/Miguel Oliveira do saudoso Team Diabolique Motorsport, tendo calcorreado as Serras da Lousã e do Açor para os ver, a abrir no Ford RS 1800 MKII e depois no Sierra RS Cosworth. Na Fórmula 1, sou adepto da Scuderia Ferrari em particular desde que o malogrado Gilles Villeneuve deu uma valente coça no Renault de René Arnaux no GP de Dijon de 1979, naquele que foi o maior duelo de sempre na Fórmula 1. Na Le Mans Series, depois de assistir, já nos anos oitenta, a Steve McQueen celebrizar o icónico Gulf Porsche 917 no filme Le Mans de 1971, fiquei sempre adepto da Porsche.
Estou sempre atento ao desporto automóvel que paulatinamente se vem adaptando aos novos desafios societais, com a investigação em novos tipos de combustíveis limpos, alguns já em teste, com a construção de carros desportivos híbridos de baixo consumo e de elétricos de alta performance, o que resultou na criação de uma nova disciplina motorizada em 2014 a FIA Fórmula E.
Tudo parece bem encaminhado para que também o desporto automóvel seja parte no desafio carbono zero, aliás já em 2022 a Fórmula 1 irá utilizar 20% de combustível com origem em biomassa e em 2023 deverá estrear-se um novo tipo de combustível sintético.
Esta semana ao ler a Tribuna Expresso descobri uma nova disciplina do desporto automóvel, o Extreme E. que iniciou o seu campeonato mundial no passado dia 3 de abril.
O Extreme E. é um conjunto de corridas off-road nas quais são utilizados os SUV elétricos Spark ODYSSEY 21. Com nove equipas mistas, promovendo a igualdade de género, o Extreme E. pretende alertar os cidadãos para as alterações climáticas sendo, segundo os seus fundadores, o primeiro desporto construído a partir da preocupação com a crise climática e que conta com um Comité Científico constituído por quatro especialistas em questões ambientais, dois de Oxford e dois de Cambridge (https://www.extreme-e.com/en/index),
Afigura-se bem! Só que não me parece!
O campeonato de 2021 é constituído por cinco provas, as três primeiras já realizadas, e os locais foram selecionados por estarem manifestamente muito afetados pelas alterações climáticas, como é o caso do deserto de Sharaan, em AlUal, na Arábia Saudita (Desert xPrix), no Lago Rosa (Ocean xPrix), no Senegal, no glaciar Kangerlussuaq, na Gronelândia (Artic xPrix). As provas no Brasil em Santarém na Floresta Amazónica e na Argentina no arquipélago da Terra do Fogo em Ushuaia, foram substituídas, para já, pela Sardenha (Island xPrix) devido à situação COVID 19 na América do Sul.
Se bem compreendo, temos SUV elétricos para corridas off-road, mas o campeonato de Extreme E. desenrola-se em traçados selecionados precisamente em lugares muito afetados pelas alterações climáticas. Encontro aqui incompatibilidades de princípio entre os critérios tecnológicos e ambientais da disciplina, o objetivo de alertar os cidadãos para as alterações climáticas e a localização das corridas.
De certeza que havia melhor forma de o desporto automóvel ser parte na sensibilização ambiental já que vem sendo parte na necessária descarbonização da economia. Qualquer coisa aqui está mal explicada ou então, preciso que me façam um desenho.

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