Opinião – Tempo eleitoral em Macau

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À semelhança do tempo autárquico que se vive em Portugal, realizaram-se em Macau no passado domingo as eleições para a Assembleia Legislativa.
Numa região onde o exercício do dever cívico se cinge à eleição para parte dos deputados que compõem o órgão legislativo, todo o ambiente de campanha e de captação de eleitorado está muito longe do que assistimos no nosso país.
Em Macau, todos os residentes permanentes, desde que devidamente recenseados, têm oportunidade de a cada 4 anos, escolherem 1 dos 14 deputados a serem eleitos pela via direta, sendo 12 eleitos por via indireta e 7 nomeados pelo Chefe do Executivo.
Num tempo difícil para todos os que por aqui residem, com a economia do território a ressentir-se bastante pelo encerramento demasiado prolongado das fronteiras a todos os não residentes, fez com que um período que deveria ser animado tivesse passado quase despercebido.
A esta circunstância acresceram as medidas restritivas de combate à pandemia, ainda em vigor, e o muito conturbado processo de candidatura das diferentes listas, o qual levou à exclusão de todos os candidatos pró democratas, alguns deles deputados há vários anos, em virtude de terem deixado de cumprir os requisitos obrigatórios de candidatura, entre os quais, o respeito pelo País e todos os princípios patrióticos subjacentes.
No final, e apesar de cada eleitor poder escolher uma das 14 listas candidatas, todos estes acontecimentos, acrescidos da similaridade dos programas apresentados, traduziram-se numa abstenção histórica, nunca antes registada em Macau.
Tal como temos vindo a assistir a cada ato eleitoral em Portugal, a abstenção constitui sem sombra de dúvidas o inimigo silencioso de todo o processo democrático.
Se por um lado, a democracia nos dá a possibilidade de escolher votar ou não votar, a saúde e a perpetuação do menos mau dos sistemas até hoje conhecido, impõe-nos o dever de, dele não desistir, evitando dessa forma o surgimento de regimes que a história nos ensinou a não mais voltar.
Ainda que o tempo político se encontre, muitas vezes, desfasado da realidade, ainda que a linguagem de quem nos representa, não se venha a concretizar, cabe-nos fazer uso da melhor das heranças, fazendo do nosso voto, seja ele um ato de protesto ou uma escolha, uma voz ativa na defesa do que mais almejamos e acima de tudo num ato de cidadania ativa na defesa de um ideal maior: a liberdade e a democracia!

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