Opinião: O QR Code omnipresente

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Uma das palavras mais associadas à transformação digital é, por certo, “simplificar”. Nas últimas décadas formos deixando de usar teclados “com teclas” para usar ecrãs táteis, os PDAs, primeiro, e, depois, tablets e surfaces substituíram alguns usos dos portáteis. A inserção de dados através de teclados numéricos deu lugar ao leitor de código de barras e, mais recentemente, ao QR Code. Essa é, aliás, uma das novidades da pandemia: o uso massivo e democrático do QR Code, deixando de ser algo apenas do domínio de profissionais das tecnologias para ser usado pela sociedade em geral. Em especial, nas fases mais “confinadas” dos últimos quase 2 anos, usámos QR Codes para evitar tocar na maioria dos objetos presentes nos diversos locais por onde passávamos, quer fosse para consultar uma ementa num restaurante, pagar uma compra até determinado valor usando um terminal, e, mais recentemente, permitir que fosse confirmada a validade/veracidade do certificado digital. Usos que não vamos, por certo, abandonar.
Mas, afinal, o QR Code foi inventado agora? Não, nem por sombras! O QR Code, ou Quick Responde Code (código de resposta rápida), ou código de barras bidimensional. foi criado, há quase 30 anos, para guardar informação para a qual um código de barras tradicional já não era suficiente. Um código de barras simples é uma forma rápida de registar um produto associado a um código, tipicamente de 13 dígitos, muito útil para comércio a retalho, porém, algo limitado para empresas com muitos produtos ou que necessitem de guardar mais dados. A Denso-Wave, empresa de produção de peças automóvel, precisava de ultrapassar a limitação dos códigos de barras, atendendo ao número de produtos que tinha e à quantidade de etiquetas que precisava de colocar em cada caixa. Assim, criou o que viria a ser o QR Code e permitiu o seu uso global. Num QR Code podemos guardar até 4000 carateres e aceder a um gerador de QR Code para criar um que corresponda a um texto, endereço URL, contacto, telefone ou SMS, códigos que podem depois ser lidos por uma app no smartphone, tornando muito simples o seu acesso e partilha.
Em Lisboa (Chiado) e Barcelona são famosos os QR Code em calçada Portuguesa, criados em 2012, e que permitem aceder a um endereço Web onde se encontra informação sobre o local e que cria um ambiente particular para o visitante. É habitual o QR Code ser usado para validar um bilhete num evento, aceder a um mapa de uma cidade, a um serviço num hotel ou a wifi. Todavia, o QR Code não se assume apenas como um facilitador das nossas vidas para acesso a informação: muito em breve tê-lo-emos em documentos fiscalmente relevantes, conforme previsto na legislação desde 2019, libertando-nos do papel.
O caminho da transformação digital inclui simplificar & integrar e os novos empresários e empreendedores, as Escolas que os formam e os professores que os ensinam devem ter isso em mente: como garantir processos eficazes e eficientes e repensar tarefas repetitivas, garantindo segurança? O uso do QR Code contribuiu e, certamente, continuará a fazer parte, com novas aplicações, dessa simplificação.

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