Opinião – O novo ano letivo

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Chegou o novo ano letivo. Não é possível antecipar como se desenrolará durante os meses que durará e que poderão ser de normalidade (como se espera), de normalidade relativa ou de atropelos causados pela pandemia que tarda em deixar certezas. Após dois anos complicadíssimos para alunos e professores (e famílias, pois claro) este que está a nascer é de natural expectativa.
Perante tal quadro só quero deixar aqui um ou outro desejo, que corresponde à forma como vejo a Educação e que não terá o acordo de todos, embora acredite que seriam bons ventos a soprar.
Um é o desejo de que haja coragem política para mexer no ano letivo e, por consequência, nas cargas curriculares que são pesadíssimas no nosso país o que nem todos parece quererem entender. Comecemos por repensar a famosa Escola a Tempo Inteiro que tenho para mim é um engano e que, com as atividades de enriquecimento curricular não resolvem nenhum problema estrutural dos alunos de das famílias, e que foi o motor da sua concretização. Era bom pensarmos no que os alunos precisam efetivamente depois das 15 horas, que apoios, que áreas artísticas se coadunam com a situação geográfica das escolas. Temos um período de férias inexplicavelmente enorme, que deveria ser diminuído com o prolongamento das aulas por mais duas ou três semanas e a começar no dia 1 de setembro, o que permitiria baixar o número de horas diárias que os mais novos têm de dedicar à escola, permitindo-lhes a prática do desporto, por exemplo, ou dedicarem mais tempo à família ou às atividades não letivas que são do seu agrado e que lhes incutirão o gosto pelas artes visuais, pelo teatro, pela música, pelo artesanato local, coisa que está claramente a faltar e cujos resultados saltam à vista. O que significará também um maior investimento no desporto escolar (as bicicletas talvez devam ser encaradas como um começo) que só muito devagar, devagarinho, vai vendo que o toleram mais do que o desejam. O que explica o ridículo de termos ganho quatro medalhas nos Olímpicos que, pelos vistos, enchem de satisfação as mais altas entidades do país, a começar pelo senhor Presidente da República. Lembremos só que países muito mais pequenos, com menor número de habitantes, com rendimentos inferiores ao nosso fazem melhor do que nós.
Depois, a vontade de ver acordo político para ser alterada a estrutura do sistema educativo e termos dois ciclos (o básico de 6 anos e o secundário, também de 6 anos). A existência do atual 2º ciclo (antigamente o ensino preparatório) entendia-se no contexto em que foi decidido mantê-lo aquando da aprovação da primeira versão da Lei de Bases do Sistema Educativo, que não deve ser mexida na generalidade, mas ter pequenos ajustes que a patine do tempo mostrou que se justifica. É bom que nos lembremos que este ciclo foi, durante muitos anos, ministrado em telescola, que foi uma forma inestimável de permitir o acesso à escolaridade de crianças e jovens dos meios rurais ou mais afastados dos centros urbanos, mas que hoje não faz sentido, na minha modesta opinião. Sei que este desejo não será fácil de concretizar, pelas implicações que traz consigo. Mas ou temos coragem de mexer no que não está bem ou muito dificilmente nos veremos livres daquilo que considero uma excrescência no nosso sistema educativo.
Eu sei que são só desejos, mas entendo que, a concretizarem-se, seriam bons ventos para o país que temos. Oxalá assim seja.

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