Opinião: Lógica da batata frita

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Toda a gente pensa que a batata frita é de origem francesa. Até porque em inglês falamos de “french fries”, sendo que “french” é francês e “fries” são batatas fritas. Mas tudo não passa de um mal entendido, causado pelos nacionais de ainda outro país, a Irlanda.
Com efeito, parece que a palavra “french” significa, em irlandês antigo, “cortado em pedaços”. Neste velho dialecto, a definição não tinha qualquer relação com a França, apenas se referia às batatas cortadas em pedaços. Entre os séculos XIX e XX grandes vagas de Irlandeses abandonaram o seu país em direcção a outros países anglo-saxónicos e com eles levaram a palavra, que se generalizou até aos dias de hoje. Há mais versões sobre a origem da expressão, mas os belgas gostam de acreditar nesta, e afirmam: “podemos não saber quem inventou as batatas fritas, mas sabemos que foram os belgas que as transformaram em arte”.
A verdade é que a original, a melhor, a mais deliciosa, a verdadeira batata-frita é sem dúvida belga, sendo que a UNESCO adicionou a batata frita à lista de tesouros culturais belgas. As mais saborosas, mais consistentes, mais crocantes, encontram-se neste país, onde o assunto é sério e merecedor de concursos anuais que atestam a qualidade das ‘fritarias’ locais, regionais e nacionais. São duas as chaves deste sucesso : a qualidade da batata, e uma fritura a dois ou três tempos, que envolve gordura não vegetal mas sim bovina.
Como a waffle, o chocolate ou a cerveja, a batata–frita é um dos símbolos mais conhecidos da Bélgica, país onde toda a terrinha tem a sua fritaria local (há mais de 5,000 ‘frietkotten’ em todo o país). A questão é tão séria que há mesmo uma expressão que afirma que “o que mantém os belgas unidos é o futebol e a batata-frita!”.

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