Dramas ambientais e humanitários do deserto no centro do último romance da trilogia “Mãe Nossa”

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Os dramas ambientais e humanitários do deserto do Saara estão no centro do último romance da trilogia “Mãe Nossa”, que é inspirado nas tradições e na cultura do povo berbere e na sua luta pelo reconhecimento.

“Desertos” surge após “O Diretor” (sobre o mar e todos os males a ele infligidos) e “Gelos” (centrado no Ártico e nos problemas do degelo), completando assim “a única trilogia ambiental de ficção do mundo”, disse à agência Lusa a sua autora, Ana Filomena Amaral, radicada na Lousã.

Segundo a romancista e historiadora, a obra “Desertos”, que foi recentemente lançada, “fala dos problemas ambientais que afetam o mundo inteiro com a desertificação galopante a que se assiste, em consequência do aquecimento global”.

O povo amazigh (conhecido por berbere), que “luta pela sua autodeterminação, pelo reconhecimento da sua história e da sua cultura, é um povo nómada do deserto do Saara, onde se passa toda a ação do romance”, contou.

Ana Filomena Amaral sublinhou que “é também um povo que, apesar de viver no deserto, está a ser ameaçado porque as condições estão cada vez mais agrestes, mas duras, mais difíceis”.

“Acabam por ser vítimas desta desertificação cada vez maior e da ausência da falta de água. E no deserto também há a outra parte, que é a luta contra o deserto”, acrescentou, aludindo à “muralha verde”, que tem como objetivo travar o avanço do deserto.

A escritora disse à Lusa que quis terminar a trilogia com uma mensagem de esperança, relacionada “com os refugiados, com os deslocados, com aqueles que são expurgados das sociedades em que vivem por esta ou aquela razão e que procuram criar um novo país”, no qual todos sejam acolhidos.

“A mensagem de esperança passa por acreditar que é possível que a Humanidade inverta este curso absolutamente suicida e que crie as condições para que todos os seres à face da Terra tenham condições de viver, o que não acontece ainda”, sublinhou.

Na última obra da trilogia, Armina e Maria vão como voluntárias para um campo de refugiados no deserto e, durante a travessia, ficam a conhecer outras personagens e vivem de perto os problemas da desertificação do planeta. O dromedário é um dos protagonistas da história, estando presente em todos os grandes momentos.

Ana Filomena Amaral dedicou a trilogia “Mãe Nossa” aos problemas ambientais do planeta “na convicção de que a palavra é uma arma e que os que a usam devem com ela lutar por causas que achem ser determinantes para o bem da Humanidade e do seu berço, a Terra”.

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