Opinião: Há mais velhos além do Restelo!…

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Desde 2018, em França, há legislação que limita o uso de “smartphones” por adolescentes nas salas de aula. Agora, no Reino Unido, o governo lançou uma consulta pública para equacionar semelhante medida. Num caso como noutro os argumentos são semelhantes: proteger a saúde mental das crianças e dos adolescentes, limitar a adição tecnológica e impor o respeito por uma sala de aula sacralizada.
Ora, salvo melhor opinião, parece-me um absurdo tal opção. E as razões são diversas: desde logo, cabe às famílias dos jovens definir os limites da utilização de telefones móveis (assim como de muitos outros equipamentos) e não ao legislador; ainda assim, deve deixar-se a cada escola o poder de desenhar as suas regras de convivência e de funcionamento, dentro e fora da sala de aula. Impor por decreto este tipo de comportamentos é desacreditar o papel educativo das famílias e passar um atestado de incompetência aos agentes escolares.
Acresce, que, enquanto pai de dois pré-adolescentes, tenho bem consciência de alguns efeitos nefastos do uso excessivo dos equipamentos tecnológicos, mas não me demito do meu papel, nem confiro ao Estado esse poder.
Importa ter bem presente – e os últimos 18 meses de pandemia deixaram-no bem patente – que não basta ter acesso à tecnologia, importa saber usá-la. Ora, ainda há muito quem não tenha acesso e uma imensa maioria que não tem conhecimentos suficientes para o seu uso: sejam “smartphones”, “tablets” ou “laptops”. E todos estes equipamentos podem ter um papel relevante no processo educativo. Não faltam bons exemplos por esse mundo fora. Na educação de crianças e jovens, assim como de idosos. De elites, bem como de populações mais desfavorecidas. Em suma, o problema não está na tecnologia em si, mas na ausência de estratégia e de visão para os usos que lhe podem ser dados.
O que fica realmente evidente com estes maus presságios franco-britânicos é um laxismo programático (é sempre mais fácil proibir que criar e propor) e um retrocesso civilizacional, num tempo em que vivemos dependentes do bom uso da tecnologia e que a escola tem um papel incontornável nessa preparação para a vida digital.

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