Opinião: Coimbra a gosto

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Há quem goste de viver em grandes centros urbanos, onde quase tudo acontece e quase nada falta. Onde há prédios a arranhar os céus – e de lá se vislumbram cinturas de casas térreas enlatando gente que corre de manhã à noite para esticar ao máximo os salários mínimos…
Mas também há quem prefira a pacatez das pequenas vilas (as que ainda restam, pois a maioria não resistiu à “promoção” a cidade…), onde todos se conhecem e alguns ignoram o significado de cosmopolita.
E depois há Coimbra, cidade média que já foi capital, depois a terceira e que para mim e muitos mais se mantém a primeira – nas memórias, nos afectos, nas histórias narradas aos filhos e recontadas aos netos…
Coimbra multifacetada, cidade que colecciona designações: “Lusa Atenas”, “do Conhecimento”, “da Saúde”, “dos Doutores”, “dos Estudantes”…
Esta última será a mais apropriada e a mais consensual, pois Coimbra continua a ser a cidade portuguesa com maior percentagem de estudantes.
De acordo com dados estatísticos recentes, a cidade de Coimbra terá à volta de 100 mil habitantes. Destes, cerca de metade são estudantes, cabendo à Universidade o maior número de alunos: na casa dos 25 mil, distribuídos por 8 Faculdades, frequentando 46 licenciaturas, 138 mestrados e 77 doutoramentos.
Realce merece também a circunstância de entre estes alunos, cerca de 5 mil serem estrangeiros, das mais diversas nacionalidades (sendo a brasileira a mais representada).
O Instituto Politécnico tem cerca de 11 mil alunos nas suas seis escolas.
A estes somam-se os das escolas superiores privadas (Instituto Superior Miguel Torga, Instituto Superior Bissaya Barreto, Escola Superior de Enfermagem), mais a Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra. E também os que frequentam as muitas escolas, públicas e privadas, onde é ministrado o ensino secundário e o ensino técnico profissional.
Infelizmente, a pandemia provocou modificações profundas na tradicional geografia humana conimbricense. As festas académicas adiadas, as aulas presenciais suspensas, encerrados os cafés (pequenas catedrais de convívio, de estudo, de namoro…) – e eis que Coimbra perdeu, neste último ano e meio, muito do bulício juvenil que caracteriza a cidade e dá forte contributo para dinamizar o seu quotidiano económico e social.
Contudo, há muitos que preferem esta Coimbra mais pacata, menos apressada.
A tradicional Coimbra de Agosto, onde aumenta o calor, diminui a pressão e tudo passa a ter mais espaço e mais vagar.
Em Setembro voltam os estudantes. E há-de retornar o bulício para quem o aprecia, volta o trânsito caótico nas horas de ponta, os apontamentos estudados nos cafés nos intervalos dos namoros, as capas e batinas a sair dos armários a antecipar a Queima das Fitas, que o ano passado a pandemia impediu e que este ano empurrou para um inédito Outubro…
Apesar de tudo, Coimbra é, assim, uma cidade a gosto…

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