Projeto de mentoria da Critical Software envolve trabalhadores e prevê apoio a 200 alunos

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A Critical Software, empresa sediada em Coimbra, lançou um projeto de mentoria para envolver trabalhadores no apoio a alunos, iniciativa que abrange atualmente 32 crianças, prevendo-se que a partir de setembro possa chegar até às 200.

“A Critical, enquanto empresa cidadã que quer ser, procura formas de intervir no mundo à sua volta, de o melhorar. E sabemos que o mundo é muito desigual. Ora, o maior fator de desigualdade é o acesso à educação”, disse o ‘chairman’ da empresa, Gonçalo Quadros, considerando que as “dificuldades na relação com a escola e com o processo de aprendizagem foram muitíssimo exacerbadas” com a pandemia de covid-19.

É neste contexto que nasce o projeto “Companhia do Estudo”, cuja fase piloto começou em abril e termina esta semana, com o fim do ano letivo, para ser retomado em setembro. Um dos parceiros é a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.

Gonçalo Quadros adiantou que foi lançada uma ‘call’ interna e 30 trabalhadores responderam positivamente. Estão agora a acompanhar 32 alunos, do 3.º ao 6.º ano, de Coimbra, Lisboa, Porto, Tomar e Viseu, onde a empresa tem escritórios.

Os alunos integram dois agrupamentos de escolas de Coimbra e dois de Tomar, um de Viseu, a Associação de Moradores do PER 11 (Lisboa) e a Associação das Creches de São Vicente de Paulo (Porto).

“O princípio-base é o de mentoria. Nós queremos ajudar quem na escola precisa de ajuda nas diferentes matérias que fazem parte do currículo escolar, mas queremos ir para além da escola. Pretende-se dar mundo, ambição, confiança, autoestima a quem dela precisa, na convicção de que isso vai fazer uma enorme diferença no seu percurso”, continuou Gonçalo Quadros, um dos fundadores da Critical Software.

Segundo este responsável, embora o projeto de mentoria seja centrado na atividade escolar, o objetivo é “complementá-lo com um conjunto de atividades que proporcionarão a estas crianças uma forma de olharem para o mundo diferente da que têm agora”.

Inclusão digital, contactos com empresas ou eventos na área cultural são alguns dos exemplos.

“A nossa ideia é acompanhar as crianças e fazer todo o percurso escolar delas até chegarem à universidade e poderem ter autonomia e independência para seguirem a sua vida”, referiu, admitindo que “o impacto de uma iniciativa como esta é geracional”.

Chegar “até aos 200 alunos”

A partir de setembro, “Companhia do Estudo” quer chegar a até 200 alunos.

“A relação que privilegiamos é de um para um. Precisamos de garantir 200 mentores”, declarou Gonçalo Quadros, precisando que estes podem ser, também, de fora da comunidade da Critical, como familiares dos trabalhadores, pessoas de outras empresas ou, mesmo, “envolver a comunidade geral” nas diferentes cidades onde a Critical está presente, que inclui Vila Real.

À agência Lusa, a diretora do Agrupamento de Escolas Coimbra Centro, no qual a “Companhia do Estudo” está em dois estabelecimentos de ensino do 1.º ciclo, salientou que “a mais-valia deste programa é que, efetivamente, concretiza a missão e função da escola pública de qualidade”.

Por outro lado, permite “uma abertura da comunidade educativa” e congrega “sinergias de todos”, afirmou Conceição Malhó Gomes, realçando, também, “a possibilidade de haver um empoderamento das crianças e das famílias relativamente a situações que elas muitas vezes não vivenciam no dia-a-dia”.

“O que queremos é que o horizonte destas crianças que integram o projeto seja mais amplo e não condicionado por qualquer contexto, e permita abrir-lhes portas e dizer que são capazes de tudo e isto faz toda a diferença”, sustentou a docente.

Conceição Malhó Gomes esclareceu que o agrupamento subscreveu esta ligação com a Critical Software “porque a escola não é fechada” e porque são necessárias sinergias de todos, para “uma educação inclusiva e intercultural, e escola de qualidade”.

A diretora destacou ainda “o papel inexcedível dos mentores, que acompanharam as crianças presencialmente ou ‘online’, em articulação com as professoras titulares de turma”.

O engenheiro eletrotécnico Pedro Soares, do escritório do Porto, que é mentor de duas alunas de 8 anos, realçou a possibilidade de, através deste projeto, “ajudar alguém que tem alguma dificuldade”.

Referindo que na sessão, de uma hora semanal com as crianças, estas “já vêm com uma série de deveres”, Pedro Soares, de 54 anos, adiantou que procura não ser apenas um explicador, mas ir mais além.

“Já percebi que a Matemática é uma das áreas em que existe alguma dificuldade. E, além disso, há um outro ponto, a capacidade de se focarem, de estarem atentas”, referiu, explicando que tem estado a trabalhar nisso, com alguns exercícios que foram inventando, para que “se foquem” e “se concentrem naquilo que têm de fazer”.

Garantindo que quer continuar mentor no próximo ano, o engenheiro justificou: “Eu ganho algum bem-estar comigo próprio por estar a fazer uma coisa que espero que possa ser útil”.

Fundada em 1998, a Critical Software fornece sistemas e serviços de ‘software’ para aplicações de segurança, missão e negócios críticos. Conta com cerca de 950 colaboradores e 10 escritórios (seis em Portugal e quatro no estrangeiro).

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