Povo de suicidas

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Em Portugal, a forma como os média – e em particular as televisões – fazem o acompanhamento da pandemia é deplorável. Sensacionalismo evidente nos relatos, repetição até à exaustão dos mesmos factos, a procura permanente do ângulo mais negativo; não se dando conta do mal que estão a gerar no imaginário coletivo, mas também na economia nacional e na forma como externamente somos percecionados.
Quem assim não acha, pois experimente ver os principais canais televisivos de vários países europeus para perceber as diferenças.
Ficamos muito indignados quando outros governos tomam a decisão de desaconselhar viagens a Portugal, suspender ligações aéreas ou outro tipo de restrições. Mas esquecemo-nos que muitas dessas reações, para além da evidência dos números, são fruto de perceções e de jogos de interesses que vão além da pandemia… A forma como o jornalismo português, em geral, tem tratado a pandemia ajuda a reforçar a “cor vermelha” e a desconfiança externa, quando deveria ser precisamente o oposto. E isto não significa ocultar a verdade ou mistificar. Bastaria apenas mais equilíbrio, mais objetividade, mais notícia e menos opinião.
Sendo certo que a expressão de Amus Cummings – “a notícia é quando o homem morde o cão” – ainda é verdadeira, há, todavia, uma diferença evidente entre informar e empolar. O jornalismo deve ter limites quando transforma factos em acontecimentos mediáticos. No que à COVID diz respeito, em Portugal, perdeu-se a noção de quão autofágica é a forma como se dão as notícias ou se inflamam os factos.
É certo que existe nos portugueses uma espécie de apetência pela tragédia. “Portugal é um povo triste, e é-o até quando sorri (…) um povo de suicidas”, como nos descreveu o ensaísta espanhol Miguel de Unamuno. Ora, os média sabem isto e, muitos, passaram a viver disto. A guerra das audiências não perdoa. Mas já era tempo de olhar para o futuro e do jornalismo nacional ajudar a criar uma narrativa positiva, de otimismo e de esperança.
É o que nos falta!

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