Opinião: Resíduos, um longo caminho por percorrer!

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Encontra-se iminente a transposição da Diretiva (UE) 2019/904, do Parlamento Europeu e do Conselho, sobre Plásticos de Uso único, que terá um impacto profundo nos nossos hábitos de consumo, dando preferência à reutilização de embalagens e matérias, diminuindo assim a nossa pegada ecológica, através da diminuição do lixo doméstico gerado.
Hábitos comuns como a utilização de pratos, talheres e palhinhas descartáveis passarão a ser memórias de um passado recente, em que a cultura da reutilização, do reaproveitamento e da reciclagem têm de estar presentes no nosso dia a dia.
Também, no que concerne às embalagens, terá de ser encontrado o ponto de equilíbrio entre a reutilização, a salvaguarda da integridade do produto e a higiene e saúde alimentar.
Outra alteração drástica no nosso dia-a-dia, que peca pelo atraso na sua implementação, prende-se com a separação dos biorresíduos e a sua deposição em contentor apropriado, permitindo retirar dos aterros a fração biodegradável do lixo que geramos e o seu reaproveitamento.
O destino da fração biodegradável deverá por princípio ser a fertilização dos solos e não ter como destino final os aterros sanitários, dado contribuírem para um período de vida útil menor do aterro e originarem diversos problemas de exploração relacionados com a decomposição da matéria orgânica.
No entanto, se o País pretende atingir as metas ao nível da separação de resíduos e reciclagem, terá de desassociar o valor a pagar pelo serviço de recolha do lixo doméstico do volume de consumo de água. Não é certamente através deste, que podemos aferir a quantidade de resíduos gerados por família e o grau de separação dos mesmos, ou seja, o seu contributo para a reciclagem e o reaproveitamento de resíduos.
A adoção de sistemas “Pay-As-You-Throw” (PAYT) constituirá um claro incentivo para os cidadãos, por via financeira, para promover a separação na origem e aumentar as taxas de recolha seletiva, dado que o valor a pagar estará diretamente ligado à quantidade de resíduos depositados.
Desta forma, o setor dos resíduos sofrerá nos próximos anos alterações radicais, tornando-o a atividade humana mais sustentável e amiga do ambiente. Este desígnio tem obrigatoriamente ser transversal a todo o espectro político, apesar de alguns partidos se querem apropriar destas bandeiras, ignorando que nos Países em que foi implementado o sistema político que defendem, encontram-se em termos ambientais a anos-luz das sociedades ocidentais com modelos capitalistas.
Para esta guerra que transformará a nossa sociedade estamos todos obrigatoriamente convocados!

A minha actividade durante a semana passada:
– Centrou-se na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território com a audição dos futuros membros do Conselho de Administração da ERSAR e na Comissão de Agricultura e Mar.

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