Opinião: “O Mauritano”

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“O Mauritano” é um filme que nos demonstra a insanidade do Estado quando se convence de uma teoria.
Um filme duro para a administração Obama que insistiu em manter um inocente preso depois de sabida a sua inocência e conhecido o comportamento violento e torturador da prisão.
Aliás, de TODOS os presos de Guantanamo em 2003 nenhum sofreu condenação alguma. Muitos foram torturados com conhecimento de Obama.
Este é o estado democrático que não devemos querer.
O Estado que demora décadas a deduzir acusação é um lugar sem justiça.
Na altura, a opinião pública delirava com vingança, morte aos culpados de atentado de 11de Setembro, os cidadãos queriam prisões e mortos por medo do terrorismo.
Desse modo aceitaram o terrorismo de Estado,a invasão do Iraque, a indiscutida babaridade aos presos de Guantanamo.
Hoje o medo é outro e a insanidade construída está ao rubro e cegando gente que outrora foi libertária e livre.
Até um tipo culto e interessante como Obama foi arrastado pelo medo e cometeu este crime insano.
Importante é perceber que o Estado tem de ser controlado nas suas acções e deve ser assim para proteger os direitos das pessoas. Contrariamente ao que dizem os
defensores do direito à vida, que era o caso após o 11 de Setembro, a defesa dos direitos fundamentais permanece como uma prioridade.
– Não há liberdade sem estar vivo! dirão alguns, mas outros dizem que a suprema liberdade é a morte fantasiada pelos livros religiosos. O paraíso para lá da vida terrena.
O Mauritano lutava por se manter em sanidade apesar da tortura e da violência cometida pelo Estado em nome de um direito e de uma crença, agarrando-se à sua religiosidade.
O problema da cidadania plena é essa fronteira entre os direitos individuais e o direito do colectivo. As regras como os códigos de conduta tem o fim de ser possível
viver em comum. É o foco do código da estrada, as regras de conduta em salas de espectáculos, o comportamento tido por aceitável. O bom senso e a tradição marcam muito desta fronteira.
Não vale tudo em favor do Estado, e não pode valer tudo para preservar a vida. Este é um dos lugares de empenhado debate após a experiência de ano e meio que vivemos.
Há um fascista em cada um de nós que se empertiga sempre que pode.
Temos de o ter com coleira, com açaime, quando ele vem à rua, mesmo se para proteger a nossa vida como a temos vivenciado.
Pode ler a opinião de Diogo Cabrita na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

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