Opinião: O Estado da Nação

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O debate na Assembleia da República sobre o “Estado da Nação” foi um espectáculo deplorável. Durante cerca de quatro horas, o Primeiro Ministro deu a ideia de que o “estado da Nação” está na melhor, que não há problemas de maior, ao mesmo tempo que foi dizendo que os momentos difíceis (dizendo sempre que herdados do passado…) estão a desaparecer … mas não disse o que realmente tem sido feito para tal, nem apontou qualquer caminho exequível e com soluções mobilizadoras para o que é necessário fazer!…

Por sua vez, a “Oposição”, a quem competiria analisar as acções do Governo que levaram ao “estado da Nação”, não conseguiu confrontar evidências e utilizou o palco da Assembleia da República como um circo em que a vozearia dos deputados foi abordando sempre os mesmos temas, cada um dizendo o que lhe apetecia de momento, num exibicionismo narcisista, e sem qualquer lógica que, pelo menos, definisse a sua respectiva ideologia partidária:

Falou-se nos milhões de Bruxelas, no investimento público desses milhões, mas sugeriu-se afastar as grandes empresas de qualquer apoio… e ninguém ficou a saber, nem exigiu que seja publicada, qual a programação real do investimento de tantos milhões! Falou-se nos desequilíbrios ambientais, nas desigualdades sociais com referência aos índices de pobreza, apontaram-se investimentos no SNS que dizem ter sido feitos … mas ninguém ficou a saber onde … ou que vão ser feitos … mas ninguém ficou a saber como!

Disse-se que o orçamento do Estado está por executar, até se referiram as célebres e hoje já consagradas “cativações”, mas não se aprofundou a discussão de tal “estado da Nação”!… De raspão, falou-se em ministros intocáveis que circulam a velocidades loucas … que causam a morte de um trabalhador, mas cuja culpabilidade atribuem ao motorista … e não aceitam (porque são intocáveis e, por isso, incapazes de a compreender) a sua responsabilidade ética (conceito que desconhecem).

Acusações sobre acusações sobre estas e outras matérias em que todos, Governo e Deputados, se misturaram nos ataques, nas meias-verdades, na mentira e até nos insultos. De respostas, de soluções, de compromissos … nada!…

Mas foi assim que decorreu a discussão do “estado da Nação” na Assembleia da República! Quando Portugal vive a pior pandemia dos últimos cem anos, sem que se vislumbre como e quantos mais anos a vai viver, quando Portugal atravessa talvez a maior crise financeira da nossa Democracia e caminha na cauda da Europa, sem que se vislumbre como e quando dela vamos sair … seria missão da Assembleia da República analisar os porquês e os erros, apontar sugestões de caminhos a seguir, unir-se num desiderato nacional.

Ao que assistimos foi a um circo … com um mau e lamentável espectáculo. E uma pergunta resulta como obrigatória:
No final desta discussão do “estado da Nação”, alguém neste Portugal de 2021, ficou a fazer a menor ideia sobre qual o verdadeiro “estado da Nação”?

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