Opinião: Meio milhão a ferro e fogo e Portugal assobia para o lado

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Nos últimos dias, meio milhão de portugueses residentes neste país também viveram de “portas abertas para a guerra”, dias violentos de pandemónio, tumultos armados nas ruas de bairro, e que só as “milícias” civis armadas conseguiram “defender” comunidades, negócios, residências, perante a impassividade da polícia e do exército.

Ainda não se sabe o objectivo da insurreição, mas já se contam os prejuízos morais e materiais que, no caso dos nossos compatriotas, ultrapassa a centena de grandes negócios no setor alimentar e de bebidas, saqueados, vandalizados, e muitos deles queimados até ao chão.

Estima-se em cerca de 450.000 portugueses e lusodescendentes na África do Sul. Pelo menos 200 mil em Joanesburgo e Gauteng, e 20.000 no KwaZulu-Natal, as duas províncias mais fustigadas por oito dias consecutivos de violência extrema, saques, e intimidação após a prisão do ex-Presidente Jacob Zuma, na noite de 7 de Julho, por desrespeito o Tribunal Constitucional, a mais alta instância judicial no país.

Todavia, a palavra de apoio que chegou de Lisboa, cinco dias após os acontecimentos, foi: “Fiquem em casa. Não é hora de abrir lojas e estabelecimentos”.

Mais ainda: sem cônsul-geral em Joanesburgo, e com a violência a bater à porta dos nossos compatriotas, o embaixador de Portugal na África do Sul escrevia uma carta a comunicar que os “casos de emergência e assistência consular devem ser comunicados ao Gabinete de Emergência Consular em Lisboa”.

“E Lisboa vai fazer o quê, vai telefonar depois para o embaixador ou para o consulado para tentar resolver a situação”, questionou um conselheiro das comunidades portuguesas em Joanesburgo.

Choca ver o desinteresse do Governo português e dos seus representantes neste país, quando temos compatriotas a verem a suas vidas a serem destruídas, os seus negócios saqueados e nada se faz. É triste.

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