Opinião: Dever cumprido

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Saído(s) para gozo de merecidas férias, mais Ela do que eu, porque ser professor em Portugal é um incómodo e uma tarefa árdua – não bastava ensinar as crianças, mas agora também alguns pais – e ser Presidente de uma Associação de bons rapazes e com bons rapazes e raparigas, torna-se bem mais fácil. Agora, porque nem sempre foi assim!
Assim, “o barco foi de saída”, naturalmente as saudades do mais pequeno apertaram e uma paragem obrigatória.
Parece-me não ter sido muito simpático, ou talvez sim, porque passei e dormi em Palmela e não fui dar aquele abraço aos Amigos Silvia e Marrafa, assim como ao Octávio Machado.
A intenção é não incomodar, não chatear, mas fica a promessa que mais dia menos dia farei uma surpresa.
Saído dessa fantástica vila, após ter visitado o seu castelo altaneiro, como diria o outro, aventurei-me para o Alentejo profundo.
Desde muito novo que tenho uma atracção pelo Alentejo, ainda que me pareça me não ser muito agradável por lá passar muito tempo. Parar, ver, visitar, e chega…que o tempo urge.
Alvito, Vila muito interessante, foi a primeira paragem para um não muito tempo, porque tinha objectivo a cumprir.
Almocinho na famosíssima vila de Cuba, recordando naturalmente a luta contra o Estado Novo e pelo 25 de Abril. Venham até cá, quem tem a mania que sabe fazer migas para aprender. Não sou muito dado a nomes de restaurantes, mas a casa de habitação – que era o restaurante – era de atendimento de excelência.
Só que, e porque sempre existe um “só que”, a patroa começou a sentir os pés mais frescos do que o habitual.
Uma volta à vila, uma oficina catita, e o mecânico tratou a coisa de forma diligente.
Os meus Amigos nunca perceberam porque sempre comprei carros velhos! Para além do facto de os novos serem caros, e o carrinho dever pagar-se a si próprio – “o deves” está sempre na moda para os que se pavoneiam a juro alto – nunca perceberam o “feito que é”, sair num carro e não saber se volta no mesmo, se vem em cima ou atrelado a uma carroça qualquer e o regresso que se faz a dormir e a roncar no “lugar do morto do táxi”!
Tentem e vão ver se não gostam. É uma adrenalina do caraças!
Cheguei à Vidigueira – terra de pão e vinho, segundo me informou a Paula Carmo – para fazer uma visita a uma Amiga que já não via, sensivelmente desde o dia 13 de Maio de 1979.
Chamava-se, chama-se, Maria Hermingarda, nome que só por maldade uma Mãe e um Pai põe a uma filha! Mas não é a verdade. Alguém muito querida da família assim se chamava e a minha Amiga sofreu!
Foi a minha mais Querida Amiga. Passaram todos estes anos e, sem nunca nada prometer, eu dizia para mim mesmo que a haveria de visitar “antes de me apagar”!
Talhão I, número 22, é o local onde amanhã irei colocar um ramo de flores no túmulo da pessoa, da mulher mais fantástica que conheci até hoje!
Não teve nada a ver com paixão. Nem com amor. Nem com ciúme. Não!
Só com amizade, sincera, pura, total e absoluta!
Cumpri, não uma promessa, mas uma obrigação, para com uma pessoa, uma mulher de grande, enorme elevação e bondade.
Cumprido o dever, a saudade mantém-se!

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