Opinião: A eficácia das Teleconsultas (ainda) não é uma realidade

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A COVID-19 veio trazer, de forma súbita e inesperada, uma oportunidade de implementação das Teleconsultas no SNS, tão apreciada por alguns, mas rejeitadas por outros.
No entanto apesar do aumento significativo deste tipo de consulta, elas estão muito longe de ser eficazes.
São necessárias um conjunto de medidas e investimentos para que a Teleconsulta seja uma alternativa real.
É necessário promover a adaptação do utente ou cuidador às tecnologias de comunicação, ultrapassar as dificuldades da comunicação.
Devem ser criados, nas Instituições de Saúde, espaços próprios, devidamente equipados com Internet e Webcam, eficazes para Teleconsulta, com uma Equipa de suporte adequada.
Por outro lado, deverá ser feita uma triagem dos utentes a incluir neste tipo de consulta.
A Teleconsulta dificilmente poderá ser utilizada em situações agudas, queixas crónicas agudizadas, quando são necessários exames urgentes ou exame físico.
Não poderá ser alternativa sempre que o doente é incapaz de utilizas as tecnologias de informação seja por inadaptação, por défice visual ou auditivo, por perturbação cognitiva ou por barreiras linguísticas
Na atual situação e na maior parte dos casos existem constrangimentos, destacando-se as dificuldades na transmissão das orientações aos utentes e cuidadores, dificuldades do médico em compreender a informação e a realização do exame físico
Quantas vezes, a dita internet não chega com a velocidade precisa e há falhas…
Os nossos idosos, cada vez mais idosos, frágeis e resignados, são tão isolados e enraizados ao local, que os viu nascer, crescer e viver o resto das suas vidas.
Como poderão estas pessoas, ter qualidade de vida, quando serviços essenciais, escasseiam ou falham!
Mas importa, pois, salientar, que todo este avanço da tecnologia, não é certamente o melhor caminho para muitos utentes, essencialmente para aqueles que o desgaste da vida, lhes roubou o poder de escutar e quantas vezes através de gestos, do simples olhar, do mover dos lábios entendem essa linguagem universal.
Para muitos o contacto olhos nos olhos, em especial com o médico de família, profissional humano e tantas vezes amigo, tão próximo quanto possível, disponível no cumprimento da sua obrigação, sempre prestável e tão “presente e amigo” e quantos há ainda, a considerá-lo tratar-se de “família” e ainda tantas vezes o confidente, em quem confiam e acreditam para encontrar o melhor caminho
Mas com a teleconsulta essa realidade desfaz-se, torna-se perturbadora para o utente e embaraçosa para o médico, quantas vezes por mais esforço que este faça e o utente embaraçado, não percebe, não entende, tenta entender e entende possivelmente o que não seria espectável entender…a frieza do momento, o desalento o tempo possível mas escasso para as explicações de ambos, a troca de duvidas e esclarecimentos, toda esta relação médico doente, que não existe e é fundamental, é perdida deste modo, numa teleconsulta.

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