Opinião: Um país centralizado

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A regionalização poderia trazer desenvolvimento económico?

 

Antes de defendermos a regionalização é fundamental perceber qual é a verdadeira dimensão do centralismo no nosso país. Para que se tenha uma noção da dimensão orçamental que Lisboa ocupa no seio das autarquias nacionais, é importante fazermos contas.
Se formos analisar orçamentos municipais, que hoje em dia é a divisão administrativa intermédia mais democrática, concluímos que é necessário somar os orçamentos municipais dos 107 municípios mais pequenos para igualar o orçamento Lisboeta. E mesmo entre os municípios mais populosos, o concelho de Lisboa consegue apresentar no seu orçamento uma verba equivalente à de 7 municípios que possuem o triplo dos habitantes e 10 vezes a sua área.
O engarrafamento de serviços de decisórios na cidade de Lisboa leva a que muitas vezes as regiões periféricas fiquem esquecidas. A proximidade do centro decisório leva sempre a que se tenha uma perceção da realidade mais completa e por consequência uma proximidade muito maior às soluções.
É exatamente nas autarquias que a gestão de dinheiros públicos é mais eficiente, dado que o conhecimento dos projetos e das necessidades nos levem a tomar decisões mais eficientes do que aquelas que tomariam o governo de Lisboa.
Lisboa, hoje é o centro da político e económico de Portugal. Nem sempre foi assim. No passado a produção económica estava no Porto e a capital política era Lisboa. Com o desenvolvimento o nosso país foi centralizando o seu estado e ministérios em Lisboa e assim levou a que todas as multinacionais e serviços capitais se localizassem nas margens do Tejo, com o tempo a cidade do Porto foi perdendo o seu estatuto e assim Lisboa tornou-se a capital económica.
Com isto pretendo concluir que é óbvio que a descentralização de poder trás ganhos económicos, para mais não seja pelo desenvolvimento económico que se cria em redor dos centros de poder. Se Lisboa teve esse direito, porque é as restantes regiões também não terão?

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