Opinião: Acabar com o provincianismo!

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A regionalização poderia trazer desenvolvimento económico?

 

Estamos todos habituados a ouvir o termo “província” em conversa com um residente da área metropolitana de Lisboa quando este se refere ao resto do país. Esta estranha nomenclatura demonstra bem o que sentem os lisboetas! Reflete a hierarquização superior que fazem da sua terra protagonizando-a relativamente a todas as outras, menosprezando e mesmo ridicularizando o resto do seu país.
Este sentimento acaba por contaminar todos os órgãos da administração, comunicação e governativos que inevitavelmente e infelizmente estão centralizados em Lisboa. Em consequência, o país não é pensado, planeado e desenvolvido com o mesmo nível de empenho e nem com a devida equidade. Há um país a várias velocidades e no final do dia todas as regiões ficam prejudicadas.
É raro ouvir esta expressão discriminatória em qualquer outra capital da europa e quando a usam nunca a generalizam com todas as outras regiões do seu país, usando-a apenas ocasionalmente, com alguma região mais rural. Na verdade, verificamos na maioria dos países várias regiões igualmente desenvolvidas de tal maneira que muitas vezes temos dificuldade em identificar a cidade que é a capital.
Em Portugal não é essa a realidade. De tal maneira que, por vezes, é confrangedor dialogar com algumas pessoas que exercem cargos com responsabilidade nacional e perceber que não têm noção da realidade do resto do país, quer seja das suas potencialidades quer seja das suas limitações. Exemplo disso é a forma como interpretam a gestão de uma freguesia e mesmo de um concelho. Como pode alguém legislar acerca de gestão autárquica considerando praticamente só Lisboa cujas freguesias têm número de funcionários e orçamentos maiores que muitas câmaras do país?
Posto isto, julgo que a regionalização com cinco regiões distintas – Algarve, Alentejo, Lisboa, Centro e Porto – ajudaria a combater definitivamente o provincianismo e o paternalismo forçado pelo excesso de protagonismo de Lisboa, favorecendo mesmo uma competitividade entre as regiões que pode ser muito positiva. Contudo, apesar de considerar que é uma solução virtuosa para o país, há que acautelar os bairrismos exacerbados e a multiplicação de cargos políticos que podem advir dum processo de regionalização mal conduzido.

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