Opinião: A estirpe britânica!

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Na passada semana fomos todos surpreendido com a decisão do Governo Britânico de passar Portugal para a lista âmbar, obrigando todos os turistas oriundos deste País a um período de 10 dias de quarentena, no regresso ao Reino Unido.
Para além de parecer incompreensível, esta decisão terá forçosamente graves repercussões na indústria turística portuguesa, com impactos significativos no Produto Interno Bruto, crescimento da economia e no emprego.
Como argumentos e com alguma imaginação à mistura, o Governo Britânico recorreu à suposta “estirpe nepalesa” e ao crescimento acentuado do número de casos em Portugal, esquecendo-se que a situação epidemiológica portuguesa é mais favorável que a britânica.
Com tais argumentos até poderíamos ser levados a pensar que tal decisão foi tomada de proteger Portugal das estirpes e casos que potencialmente poderiam ser importados do Reino Unido.
Mas não, trata-se de uma decisão política sem qualquer base científica e movida por interesses alheios à saúde pública, que só se tornou possível porque o Governo Português se pôs a jeito!
No último ano, em termos de gestão da pandemia o Governo adotou a estratégia do ioiô. Aligeirou as medidas restritivas no Natal, para logo a seguir ser forçado a encerrar tudo durante um longo período, com uma sobrecarga imensurável sobre o Serviço Nacional de Saúde.
A seguir à tempestade não voltou a bonança, mas sim as baldas, com os festejos da conquista do campeonato pelo Sporting, com a realização da Final da Liga dos Campeões, com as condições sub-humanas com que Portugal recebe os imigrantes, entre outros exemplos.
Se estes casos contribuem diretamente para um agravamento da situação epidemiológica, o exemplo que transmitem de relaxamento dos comportamentos cotidianos de prevenção do contágio, têm certamente um efeito multiplicador no surgimento de novos casos.
Assim, ao invés da necessária cautela e do foco na recuperação dos setores mais afetados, o Governo preferiu adotar um comportamento populista, de ir dando umas borlas aqui e ali, mais preocupado com os seus índices de popularidade em vésperas de eleições autárquicas, do que na recuperação económica do País.
Se devemos culpar alguém, não é o Governo Britânico que apenas pretende com falsos argumentos aumentar o consumo interno, mas sim o Governo Português porque criou as condições para que medidas desta natureza pudessem ser adotadas, dada a imagem de “bandalheira” que o País transmitiu externamente na gestão da pandemia, no passado mês de maio.
Infelizmente, esta situação cujo único responsável é o Governo Português, pode ser fatal para muitas empresas que operam no setor do turismo em Portugal.

A minha atividade na passada semana
– Centrou-se na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território e na Comissão de Agricultura e Mar

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