Portuguese Meat visa duplicar exportações de carne de raças autóctones

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O projeto Portuguese Meat (Carne Portuguesa), hoje apresentado em Mira, distrito de Coimbra, visa a promoção internacional e o aumento, para mais do dobro, das exportações da carne das raças autóctones portuguesas bovinas, caprinas, ovinas e suínas.

Promovido pela Federação Nacional das Associações de Raças Autóctones (FERA), em parceria com 11 agrupamentos de produtores do continente, o projeto visa aumentar a intensidade das exportações dos atuais 3,67% para 8,07% no final de 2022.

Ainda segundo dados hoje revelados pela FERA sobre os resultados esperados do Portuguese Meat, o volume de negócios internacional – que se situa atualmente em cerca de 546 mil euros – quase triplica para 1,42 milhões de euros e o volume de negócios total passa dos atuais 14,9 milhões de euros para 17,7 milhões de euros.

O programa reúne oito raças autóctones bovinas (arouquesa, barrosã, cachena, marinhoa, maronesa, mertolenga, minhota e mirandesa), uma caprina (serrana), outra ovina (churra mirandesa) e a raça suína bísara.

Pretende promover a “qualidade e segurança da carne e de produtos à base de carne portuguesa, provenientes de animais alimentados em pastagens naturais, de zonas rurais, criados em regimes extensivos e sem stress produtivo, o que proporciona características e sabor único à carne”, assinala a FERA.

O Portuguese Meat incide maioritariamente sobre agrupamentos de produtores da região Norte (81,82%), estendendo-se igualmente ao Centro e Alentejo (regiões com 9,09% cada).

Tem ainda como objetivos esperados a efetivação de 15 viagens de prospeção a 12 mercados internacionais, a participação em três feiras internacionais em Itália, Polónia e Macau, a promoção de duas missões “inversas” (visitas a Portugal de empresas e jornalistas estrangeiros), a realização de 1.200 contactos e de 50 potenciais negócios, para além da criação de uma marca e de ações de marketing e relações públicas.

O projeto tem um investimento total de cerca de 615 mil euros, cofinanciado em 55,25% (quase 340 mil euros) das despesas elegíveis por fundos europeus no âmbito do Compete2020.

Na sessão de hoje, Rui Dantas, presidente da Federação fundada no ano 2000 e localizada em Guimarães, afirmou que o Portuguese Meat surge do “sucesso” da implementação do projeto anterior (Portuguese Beef) “que contribuiu para a criação e promoção de uma marca comum para as carnes bovinas autóctones portuguesas com vista à sua internacionalização”.

Para além da promoção da marca comum, o “grande mérito” do Portuguese Beef “foi a criação de um grupo de trabalho em equipa, a parceria e a complementaridade formada pelos agrupamentos de produtores destas carnes”, destacou Rui Dantas.

O responsável lembrou que existem em Portugal 50 raças autóctones: 15 de bovinos, 16 de ovinos, seis de caprinos, três de suínos, quatro de equinos, duas de asininos e quatro de galinhas, e que a FERA representa “mais de metade” destas raças.

“Atualmente, a esmagadora maioria dos produtos de origem animal portugueses com proteção comunitária têm por base as raças autóctones”, sustentou Rui Dantas, referindo que, “apesar das suas diferenças e especificidades, todas as raças das diferentes espécies e raças são obtidas com altos padrões de qualidade, segurança alimentar, respeito pelo ambiente e pelo ‘fair trade’ [expressão inglesa para comércio justo]”.

“Podemos sentir diferenças no sabor, na firmeza, na suculência, resultante das diferentes raças, alimentação e maneio. Mas em todas elas podemos experienciar a cultura, as tradições, a natureza, um país. Mas, mais importante, o amor com que são criadas pelos seus criadores, guardiões deste património único”, enfatizou Rui Dantas.

Intervindo na sessão por videoconferência, Carla Pereira, diretora da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN), enalteceu o “objetivo nobre” do programa Portuguese Meat ao ambicionar o “reconhecimento lá fora” das raças autóctones nacionais e lembrou que Portugal “é o país europeu com maior número de raças autóctones”.

Definindo o projeto como “bem estruturado, com muitas atividades, muito ambicioso”, Carla Pereira frisou que o objetivo “mais importante” do Portuguese Meat é o “maior rendimento” dos agricultores portugueses e o valor acrescentando nos mercados.

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