Opinião: Veio para ficar

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Há poucos anos era residual, apesar da inovação tecnológica. Foi esta pandemia que catapultou o teletrabalho para a ordem do dia. Irá certamente reconfigurar as relações laborais, com as vantagens e desvantagens associadas. Parece-me que uma solução híbrida será o próximo passo, com o regime de teletrabalho só em alguns dias da semana. É o exemplo da gigante alemã Siemens, que passou a permitir aos seus 140 mil funcionários, distribuídos por 43 países, trabalharem 2 ou 3 dias por semana remotamente. Outras empresas seguiram o exemplo, tal como a Fujitsu, Facebook, Google, Twitter ou Microsoft. Mas há também quem se oponha ao modelo, casos da Netflix, JPMorgan ou Goldman Sachs.
Por um lado, apresentam-se argumentos a favor do teletrabalho: com a desnecessidade de deslocações para o emprego, temos mais tempo disponível para trabalhar e estar com a família, podendo gerir com mais facilidade o nosso próprio horário e poupando nas viagens para o trabalho e de regresso a casa. Há quem aponte um aumento de produtividade e até que as pessoas ficam mais confortáveis e à vontade nas reuniões zoom porque não há presença física, nem ordem de lugares sentados. Claro que o absentismo irá diminuir e a procura de talentos “remotos” aumentará.
Por outro lado, contra o teletrabalho também há argumentos de peso: a falta de interacção física prejudica a relação de confiança em que assenta o contrato de trabalho, dificulta a inovação que tantas vezes nasce do mero confronto de ideias ocasional, a vivência empresarial e o espírito de equipa pode diluir-se, tal como a solidariedade da vida sindical, bem como a privacidade a proteger, a salubridade, higiene e segurança no trabalho que fica muito mais difícil de garantir, tal como a saúde mental do próprio trabalhador.
Independentemente das ponderações que se façam e os ajustamentos à realidade de cada empresa em concreto, o que parece inevitável é a normalização do teletrabalho no mundo laboral, tanto que o nosso Parlamento está neste momento a discutir um novo regime que substitua o actualmente vigente e nos prepare para o futuro que a pandemia acelerou e é já o presente.

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