Opinião: Um símbolo da Academia

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A Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra (AAEC) completou este mês 62 anos (foi fundada no dia 9 de Maio de 1959 ).
A celebração desta efeméride terá de ficar para mais tarde, quando as restrições sanitárias nos permitirem concretizá-la da forma condigna.
Mas isso não impede que, desde já, aqui exprima pública homenagem a uma figura exemplar da Academia de Coimbra: o Prof. Polybio Serra e Silva, Presidente do Conselho Geral da AAEC.
Na passada quinta-feira, 20 de Maio, dia em que completou 93 anos, ele foi homenageado com um belo espectáculo, promovido pela Associação dos Antigos Tunos da Universidade de Coimbra (de que ele foi um dos fundadores e é Presidente Honorário). Uma homenagem a que se associaram muitos seus amigos e admiradores.
Embora seja uma figura pública, vale a pena revelar aqui alguns aspectos menos conhecidos da biografia deste médico ilustre, Professor Catedrático jubilado da Faculdade de Medicina poeta, músico, escritor, cidadão exemplar e militante de causas justas.
Nascido em Penacova a 20 de Maio de 1928, Polybio Serra e Silva veio para Coimbra com apenas 5 anos. Concluído o ensino secundário, matriculou-se em Engenharia. Mas um triste acontecimento viria a alterar-lhe o rumo. Pouco depois dessa matrícula, faleceu sua Mãe, que sempre confessara o sonho de ter um filho médico.
Consternado com a perda da Mãe, o jovem Polybio quis homenageá-la concretizando esse sonho, pelo que abandonou a Engenharia e foi matricular-se em Medicina.
Em boa hora o fez, pois assim se iniciou uma extraordinária carreira como médico e como Professor de Medicina.
Um percurso de invulgar brilhantismo, mas que se adivinhava já enquanto estudante.
Para além de outras actividades, no último ano da licenciatura foi, simultaneamente, Delegado de Curso, Vice-Presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), Presidente da Tuna Académica da Universidade de Coimbra (TAUC), Presidente da Comissão Central da Queima das Fitas e membro de um grupo de fados e guitarradas. Tudo isto sem prejudicar o seu desempenho escolar na Faculdade de Medicina, onde concluiu o curso 18 valores.
Ainda enquanto estudante, foi protagonista de uma ousada acção, que para a História ficou conhecida como “Tomada da Bastilha II”.
Tratou-se da ocupação do Instituto de Coimbra, em 4 de Abril de 1954, que, tal como a Tomada da Bastilha de 1920, visou alertar para a circunstância de a Associação Académica de Coimbra não possuir instalações condignas. O objectivo dos estudantes foi atingido, pois o seu acto viria a dar origem à construção da actual sede da Associação Académica de Coimbra e do Teatro Académico de Gil Vicente.
Na homenagem da passada semana foi bom ver antigos e actuais estudantes, antigos e actuais tunos, todos irmanados pelo sentimento de gratidão e admiração por Polybio Serra e Silva, repetidamente apontado como um exemplo enquanto profissional e cidadão, um símbolo vivo do que melhor caracteriza a Academia de Coimbra.

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