Opinião: Relvado saudável

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Não se prevê que proximamente a Figueira volte a ter um clube capaz de disputar as divisões mais altas do futebol. Também não existem perspetivas de a Figueira ter muitos praticantes de disciplinas de atletismo que se disputem num relvado (lançamento do dardo, peso ou disco) ou de desportos coletivos mais associados a relvados, como o râguebi. Tendo em conta estas perspetivas e a possibilidade de um campo sintético permitir uma implementação e manutenção mais económicas, será absolutamente razoável equacionar a utilização de um relvado sintético.
No entanto, importa saber que há uma categoria de campos sintéticos que tem sido objeto de numerosos trabalhos científicos relativos a potenciais riscos para a saúde. Este é um assunto que pode parecer estranho, mas a grande maioria dos campos sintéticos que foram construídos nas últimas décadas utilizam esferoides e farrapos de borracha na base do terreno entre as fibras verdes de relva sintética.
Quem já jogou num sintético conhece esses farrapos negros que ficam agarrados às meias. A sua função é a de transmitir um efeito de amortecimento da bola e das quedas que se aproxima de um relvado real. Ora, o problema é que essa borracha reciclada é transformada a partir de borrachas provenientes de ambientes industriais e de pneus usados de camiões. A concentração de químicos tóxicos e perigosos é de tal ordem que pode colocar em risco a saúde dos atletas, especialmente a dos guarda-redes.
Por exemplo a revista científica Journal of Toxicology and Environmental Health tem publicado trabalhos com conclusões muito semelhantes, que começam por vincar que são necessárias mais medidas sobre os efeitos a longo prazo, mas que simultaneamente alertam para potenciais riscos para a saúde e recomendam vivamente a utilização de outras tecnologias para substituir a borracha. É o que está a ser feito em inúmeras autarquias da Europa que estão a optar por utilizar fibras recicladas de madeiras para substituir o papel da borracha nos sintéticos. A optar por sintéticos, evitemos então os campos com borrachas transformadas.

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