Opinião: Formar cidadãos

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Tem a Escola o importante papel de ajudar a formar cidadãos com autonomia e responsabilidade assumindo um papel dinâmico que complete o que na Família é transmitido às crianças e aos jovens e que ultrapasse algumas lacunas que advenham do meio familiar. Essa é uma responsabilidade que as sociedades modernas “entregam” aos Estados, o que nem sempre é claramente entendido, porque se trata de inculcar valores e princípios em que, em boa verdade, não há unanimidade de opiniões.
Todavia, há coisas, às vezes pequeninas, que os alunos deverão levar com eles para a vida, às quais a Escola não pode nem deve fugir sob pena de não cumprir, como se lhe solicita, o seu verdadeiro papel de formação como aponta o artigo 73º da Constituição da República que nos rege, contribuindo para a “participação democrática na vida coletiva”.
Se já pode provocar alguma confusão a quem está de fora perceber a irrequietude no momento de ocupar o lugar na sala de aula, a confusão aumentará para os estranhos à Escola e (mesmo para muitos dos de dentro) quando os alunos (e um ou outro professor…) vão para as aulas como quem vai para a praia, com vestuários mais adequados para a época de férias junto ao mar do que para um momento muito sério como é sempre aquele em que estão a receber alguns ensinamentos e a aprenderem a aprender, que é o foco fundamental de uma escola.
E o aumento do espanto pode subir de tom, quando os alunos estão na aula de boné na cabeça perante a passividade de quem dirige ou de quem ensina.
Alguém se lembraria de entrar numa sala de audiências dos tribunais de cabeça coberta, salvo se um motivo forte o justificasse? Deste modo, na componente do currículo de Cidadania e Desenvolvimento (CD), os professores têm como missão preparar os alunos para a vida o que que dizer prepara para a vida coletiva, ensinando que, quando adultos, eles terão que saber cumprir regras inerentes a cada uma das diversas atividades profissionais e ao saber estar em sociedade.
Um livrinho do Professor Lindley Cyntra, creio que com primeira edição em 1972 “Sobre Formas de Tratamento na Língua Portuguesa”, muita falta está a fazer nos tempos que correm, quando se ouve em entrevistas televisivas tratar os Primeiros-Ministros do país por “ó António Costa” ou “ó Pedro”.
A Escola deve ensinar os alunos a adequarem a forma de tratamento ao seu interlocutor, sendo que, por pouco que pareça, é essa uma lição para a vida. Há algum tempo ouvi na televisão alguém a tratar uma ministra por “você”, assim do tipo “você não acha que…?”.
O que tem isto a ver com o título desta crónica? Tudo, mas mesmo tudo, embora vá em contra corrente e pareça que também vai contra os costumes inculcados nas sociedades dos tempos modernos. Mas todos temos que aprender a viver num mundo democrático que queremos ajudar a caboucar, o que não pode significar deitar para o lixo aquilo que fomos acumulando ao longo da vida.
A Escola ajuda a formar cidadãos – dissemos no começo deste texto. E estas pequenas coisas podem aprender se em família ou na Escola. É a Educação para a Cidadania (uma parte dela) que tão vilipendiada tem sido nos últimos tempos. As coisas mudaram? Pois é. Mas não esqueçamos que algumas são mesmo perenes!
Sei que muitos não concordarão com este meu escrito; mas é isto que eu penso e não fujo a declará-lo.

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