Opinião: Da marca de empregador…à marca pessoal: os encontros e os desencontros

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Tive a oportunidade de moderar recentemente, na nossa Universidade, a apresentação de um estudo muito interessante da Randstad sobre marcas de empregador. Num mundo repleto de marcas e de pessoas apaixonadas por marcas (algumas também… dececionadas), podemos ver como elas ganham vida, uma personalidade e são capazes de despertar emoções e sentimentos próprios da relação entre humanos, como o amor ou a paixão. Ao mesmo tempo, a “brandificação” das nossas vidas tem-se ampliado significativamente, até ao momento em que se estende ao universo do mercado de trabalho, mas também da nossa vida pessoal. É natural que as empresas se pretendam hoje diferenciar como empregadoras, criando uma marca e reputação únicas, que lhes permite atrair e conservar os melhores candidatos, e fazer deles um corpo motivado e entusiasta que reforça a sua competitividade. Todavia, enquanto as empresas estão a desenvolver e a reforçar as suas marcas como empregadoras, o que faz cada um de nós para cuidar da sua marca pessoal?
A marca pessoal apresenta-se hoje como um instrumento que pode ajudar-nos nos mais diversos aspetos das nossas vidas, com destaque para a carreira profissional e o sucesso individual. A marca pessoal deve ser o resultado introspetivo de cada um, que conduz à definição do que somos e de como queremos ser vistos, nos planos pessoal e profissional. Na verdade, a marca pessoal resulta da criação de uma identidade, uma projeção de como os públicos de cada um de nós nos veem, nos imaginam e se interessam por nós. É fácil perceber a força das marcas Cristiano Ronaldo, Cristina Ferreira ou Horta Osório, entre outros. O que já não é tão fácil perceber é que marca representa cada um de nós e a importância que isso tem nas nossas vidas… na verdade, nem faz parte dos nossos hábitos questionarmo-nos sobre isso. Ainda assim, não há como evitá-lo: os nossos amigos, familiares, colegas de trabalho, entidades patronais, olham-nos atentamente, formulam uma imagem de nós, atribuem-nos uma reputação e desenvolvem sobre nós um conjunto de expetativas. Mais, a dormir ou acordados, façamos ou não algo quanto a isso, este processo acontece naturalmente: na cabeça das pessoas com quem nos relacionamos, aparece uma marca relevante, a marca “eu”. Como é fácil perceber, deixar este processo acontecer sem que façamos algo para o controlar, para que a nossa imagem e reputação, consubstanciados na marca “eu”, sigam a direção que desejamos, deixa-nos em risco: o risco de sermos vistos como o que não somos ou como quem não queremos ser e parecer. É ao mesmo tempo uma ameaça… e uma oportunidade. É o espaço e a circunstância para que saiamos do nosso imobilismo, metamos mãos à obra, e façamos algo por nós e pela nossa marca “eu”.
Assim, face a uma marca de empregador forte, cumpre-nos desenvolver uma marca pessoal relevante e única. Uma marca que nos permita atrair os melhores recrutadores, conquistar uma progressão sólida na nossa carreira e encontrar o espaço para desenvolver e colocar em ação os nossos talentos. Este é um processo repleto de oportunidades e um passo decisivo para alcançar uma carreira de sucesso. Ainda assim, se algumas empresas deram passos significativos no reforço da sua marca como empregadoras, que sinalizam bem ao mercado quem são, o que oferecem e o que esperam dos seus colaboradores, a maioria está ainda substancialmente atrasada neste processo. Analogamente, também a esmagadora maioria de nós tem esta vertente das suas vidas ignorada e encara o mercado de trabalho numa perspetiva meramente funcional, como se o seu CV académico e profissional resolvesse tudo. Todavia, na hora da verdade, as caraterísticas individuais de cada um, as suas soft skills, em suma, a sua marca pessoal, acabam por jogar o papel decisivo na decisão de contratação.
É fácil perceber que, neste cenário, os desencontros são mais prováveis que os encontros. E, se as empresas começam a profissionalizar o tratamento das suas marcas como empregadores, nós, individualmente, estamos mais desprotegidos e dependentes da nossa iniciativa individual. Assim, não esqueça… cuide do “eu” que é a sua marca… porque a sua marca é o seu “eu”!

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