Opinião: A grande coligação

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Não concordo nada com o que está a acontecer em Coimbra. O poder instalado procura, pelos meios que tem ao seu dispor, garantir que a eleição do próximo Outono é tranquila e com maioria absoluta. Não há nada que justifique essa maioria, mas, perante tão atávica oposição, será o mais provável. O PSD, partido que já governou a câmara, resolveu desaparecer e entregar a eleição ao líder de um movimento de cidadãos, que, pouco seguro das suas possibilidades, se juntou a várias muletas para parecer algo muito grande. A coligação que formou para concorrer à câmara municipal junta o seu movimento “Somos Coimbra”, cujos simpatizantes se inscrevem pelo NOS-Cidadãos, ao RIR, ao VOIT, ao que resta do MPT, ao PSD, ao CDS e à Aliança. Da hilariante salganhada, bem descrita num acordo que chegou à praça pública, resultam algumas observações que não gostaria de deixar de fazer:

1 ) O Candidato a Presidente da Câmara (José Manuel Silva) tem muita dificuldade em dizer em que lista vai inscrito. É muito claro a dizer que os amigos do Somos Coimbra, por imperativo legal, se candidatam inscritos no NOS, mas sobre ele nada diz, a não ser que será proposto por todos;

2 ) Umas semanas antes, Rui Rio, Presidente do PSD, afirmava em Coimbra que José Manuel Silva concorreria na lista do PSD, isto é, seria candidato do PSD. No mesmo dia e na mesma sala, o candidato dizia que não era bem assim e, de facto, no acordo assinado por todos (menos pela concelhia do CDS que resolveu entrar dizer que o Presidente eleito não os representava, não estava mandatado para assinar o acordo de coligação e que, ao fazê-lo, teria desrespeitado os regulamentos do partido), o primeiro lugar da câmara não aparece atribuído a partido nenhum, mas sim a José Manuel Silva;

3 ) Portanto, Rui Rio enganou-se quando rejeitou a candidatura de Nuno Freitas e escolheu JMS como seu cabeça de lista? Recorde-se que essa escolha teve por base umas sondagens anunciadas pelo seu secretário geral, mas que nunca foram mostradas a ninguém. Existiam ou foram inventadas em cima da hora?

4 ) Dirão alguns: mas isso interessa para alguma coisa? O que interessa são as propostas da famosa coligação. Quais Propostas? Para além de muito ruído, a coligação fez alguma proposta? Já a candidatura de Nuno Freitas tinha feito muitas propostas e liderado inúmeras iniciativas, mas a sondagem feita em casa do secretário geral, a tal em que o periquito também votou, deitou tudo a perder. Portanto, não é de propostas que andam à procura, nem de sondagens favoráveis, porque nunca mostraram nenhumas. Então é de quê? Confusão? Parabéns, isso conseguiram.

5 ) Na apresentação da coligação com o RIR, o PSD e o CDS, o candidato apareceu sozinho (porque as coisas fazem-se passo-a-passo, dizia), com uns colegas de camisola branca em pano de fundo e anunciou, sem RIR, que aquela era talvez a maior coligação de que havia memória em Portugal. Fantástico. Pelo meio, muitas intenções, muitas palavras, muitos efeitos especiais para chocar, mas de concreto, nada. Vão fazer e acontecer, se Deus quiser e não chover muito, porque se chover será um problema;

6 ) Alguns partidos desta coligação são totais inexistências, outros, por total esvaziamento de quadros e de propósito, para aí caminham. O que resultará do pós-eleição é um mistério, nomeadamente em partidos como o PSD e o CDS que, depois de já terem governado a cidade, se posicionam somente para ter alguns eleitos e não desaparecerem completamente. O colapso do centro-direita em Coimbra é verdadeiramente confrangedor.
Por fim, o que pensará de tudo isto o cidadão comum? Como interpretará a total ausência de liderança daqueles que no passado tudo prometeram à cidade? Como julgará o PSD e o CDS por se demitirem de uma alternativa credível ao atual poder Socialista? Como interpretará o posicionamento dos respetivos “líderes”, nomeadamente a incapacidade de gerar uma proposta alternativa e a incapacidade de fazer valer as decisões que tinham tomado a nível concelhio e distrital?
Como podem esses líderes explicar aos cidadãos que são melhores do que Manuel Machado, se foram incapazes de demonstrar isso mesmo ao líder do seu próprio partido, o qual preferiu como candidato o líder de um movimento com 2 vereadores, quando o partido tinha eleito 3 vereadores? Como entenderá a população que, mesmo perante tamanha desconsideração, ninguém se tenha demitido? Fará de conta? Fará o que agora recomendam que é votar na referida grande coligação com o RIR?

Pode ler a opinião de Norberto Pires na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

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