Câmara de Ílhavo e Pascoal assinam parceria para reabilitar o lugre Argus

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A Câmara de Ílhavo e a empresa Pascoal & Filhos assinaram hoje um acordo de parceria para recuperar o lugre bacalhoeiro Argus, um dos três “cisnes brancos” do Atlântico na II Guerra Mundial.

Juntamente com o Creoula e o Santa Maria Manuela, o Argus fazia parte dos “cisnes brancos” da frota bacalhoeira, assim conhecidos por terem sido pintados de branco durante a II Guerra Mundial, com o intuito de evidenciarem a neutralidade portuguesa no conflito e evitarem ser atingidos pelos beligerantes.

Durante a assinatura do acordo, pelo qual a Pascoal & Filhos, SA faz a doação do Argus ao município, ao abrigo do mecenato cultural, o presidente da Câmara de Ílhavo, Fernando Caçoilo, lamentou que o Creoula esteja encostado no Alfeite, por não haver dinheiro para a sua reabilitação.

“A questão do Creoula, sabem bem que está encostado no Alfeite e que está entregue à Marinha, mas dizem que são precisos 10 milhões de euros para o recuperar e o Ministério da Defesa Nacional alega não ter dinheiro”, observou.

Já quanto ao Argus, a Câmara de Ílhavo vai procurar financiamento, nomeadamente através de fundos comunitários, para transformar aquele veleiro da pesca à linha em espaço museológico, num investimento de cerca de quatro milhões de euros, e colocá-lo no Jardim Oudinot, em cuja margem está já o Navio-Museu Santo André, da pesca de arrasto.

“Sabemos que ílhavo é uma terra de mar e uma terra que olha para a sua história com muito respeito e com muito carinho, e por isso temos investido nos últimos anos uma fatia importantíssima do Orçamento Municipal na Cultura e no Património do Mar”, declarou o autarca.

O Argus, um lugre bacalhoeiro com cerca de 57,54 metros, com quatro mastros de vela latina, foi construído em 1939, em Heusden, na Holanda.

Ficou internacionalmente conhecido devido ao documentário de Alan Villiers, que viajou no navio em 1950, para a National Geographic Magazine.

A última campanha do navio ao bacalhau foi em 1970, tendo sido adquirido em 1974 por uma empresa canadiana para navegar como embarcação turística nas Caraíbas sob o nome de “Polynesia II”.

Em 2009 foi adquirido em hasta pública, em Aruba, pela Pascoal & Filhos (que já havia adquirido e reabilitado o Santa Maria Manuela), que o fez regressar à Gafanha da Nazaré.

Aníbal Paião, administrador da Pascoal, justificou que “a solução para o navio não poderia nunca ser pelo restabelecimento da navegabilidade por inviabilidade técnica, financeira e de mercado”.

“Começámos então a desenhar uma outra solução, que fosse honrosa para o navio e a sua história e a solução encontrada seria reconverter o navio para a sua configuração de 1942, e desenhar um pré-programa museológico que contasse a história do navio e desenvolvesse adequadamente o conceito de frota branca e a sua participação nos terríveis anos da II Guerra Mundial, assuntos ainda não tratados suficientemente no Museu Marítimo de ílhavo”, explicou.

Para isso, teve na Câmara de Ílhavo o parceiro para levar a efeito esse aproveitamento, em moldes semelhantes ao que sucedeu com o Navio-Museu Santo André, 20 anos antes, avançando por isso para a doação do veleiro.

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