Opinião – Os novos Capitães de Abril

Posted by

As notícias que nos chegam de Cabo Delgado à África do Sul são preocupantes. Os deslocados são já aos milhares em marcha para Sul. Há relatos de centenas de outras vidas inocentes forçadas a fugir, aterrorizadas, mortas e mesmo decapitadas por agressores da terra, com apoios externos.
Do interior desta nova insurgência armada, o sentimento é de uma revolta popular na região norte do país vizinho. É uma violência em escalada que nas últimas semanas provocou uma profunda instabilidade regional.
Para os mais de 450 mil portugueses residentes na África do Sul, as notícias de Cabo Delgado fazem recordar o êxodo que também foram forçados a fazer pelos dirigentes da Frelimo, o ex-movimento de libertação que governa Moçambique há quase 50 anos.
A memória leva também grande parte destes portugueses a confrontar de novo o passado de miséria, medo, xenofobia, abandono e discriminação a que foram sujeitos hostilmente, em Moçambique, e pelos parceiros de esquerda da Frelimo, em Portugal, que sugeriram que fossem “atirados ao mar”.
Quase cinco décadas depois do fim da Guerra do Ultramar e de famílias destruídas, que se reinventaram do nada, as notícias de Cabo de Delgado despertam de novo o verdadeiro debate sobre os “retornados”, que a sociedade portuguesa há muito evita, fazendo questionar se os portugueses travaram uma “guerra justa” e se a descolonização permitiu à Frelimo fortalecer o país.
Já vão mais de 50 anos de desgoverno, e os civis inocentes continuam a morrer degolados em Cabo Delgado e na região centro do país, onde se morre também de pobreza e corrupção. Muitos insistem em ignorar responsabilidades.
Aquela zona costeira de Moçambique, onde em tempos os meninos podiam brincar nas suas belas praias de areia branca, já não tem ninguém.

One Comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.