Opinião: O mar e o hospital

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A areia invade regularmente as vias rodoviárias adjacentes ao hospital. O mar está mais quente, expande-se devido às alterações climáticas em curso, e a violência das tempestades, mais fortes e vindas de diversos quadrantes, potencia a erosão. Somam-se ainda as obras de engenharia costeira (molhes, enrocamentos) que têm agravam o problema em vez de o minorar.
Tudo se conjuga para que o local onde está agora o Hospital Distrital da Figueira da Foz, a uma centena de metros da linha de maré, seja fisicamente ameaçado pelo embate das ondas daqui a umas dezenas de anos. E ninguém sabe se conseguiremos deter o aumento da temperatura e a inevitável perda de território para o mar.
Duas hipóteses se colocam: a primeira, mais sensata, centra-se na retirada progressiva das infraestruturas ameaçadas, desmontando e desconstruindo a médio prazo ( 10 a 20 anos) edifícios e indústria, e relocalizando. A segunda hipótese é construir cada vez mais muros e defesas costeiras, tornando a costa numa fortaleza. Esta segunda opção tem sido a escolhida e os resultados estão à vista, mais erosão e instabilidade.
Sabemos ainda que a nossa obrigação é planear o hospital para um cenário diferente, onde as alterações climáticas serão o novo normal e quiçá um estado de menor segurança sanitária, com novas pandemias e bactérias multirresistentes.
Dito isto, confesso que será difícil imaginar uma localização mais agradável para um hospital do que a atual: vista para o mar, bons ares e uma envolvente onde se vive tranquilamente. Custa pensar no abandono do edifício que tem para a maioria um significado especial. Entramos doentes e com dores e saíamos com mais saúde.
A construção de um novo hospital para a Figueira deverá ser um processo participado, envolvendo os vários detentores de interesse e procurando uma infraestrutura de excelência. Deveria começar já esse trabalho de planeamento.

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