Opinião – Estado doente

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Sócrates é um cidadão com direito e portanto, por muito que não gostemos da sua forma de ser, da evidente mania das grandezas, da aparente patologia comportamental, até da sua desadequação à moral vulgar temos o dever de lhe permitir defender-se até ao último suspiro e devemos mesmo lutar para que a sua defesa tenha todas as capacidades de o proteger contra a acusação – isso é o estado de direito. Não significa que não tenhamos opinião, mas à informação cabe equilibrar a balança de críticos e amigos.
Ivo Rosa deve cumprir o seu papel de avaliação da prova recolhida pelo Ministério Público, deve observar se há abuso de poder, se existe desconformidade, e deve pronunciar as suas observações em público (como é o espírito da lei – publicidade da pronúncia) para que saibamos (o povo) se há justiça. Ivo Rosa é escrutinado nas suas sugestões e decisões pelo Tribunal da Relação que tudo pode mudar. Assim o caminho do estado de direito está em curso. Criticar um juíz que cumpriu o seu papel é uma mera opinião.
José Sócrates parece ter usado mercantilmente o seu cargo, ou a sua estadia nele durante seis anos. É o que parece até que o tribunal decida e se faça a leitura da sentença sobre a prova – os factos arrolados e investigados e colocados a decisão, tendo em conta factores abonatórios e o seu inverso, o quando, o porquê, o como.
A mim caiu-me o queixo, e ainda não o encontrei, porque as decisões zurziam o Ministério Público, porque as decisões encontravam substância de acusação, mas esta morria solteira por prescrição. As acusações caíam umas atrás das outras, por erros de investigação e de interpretação. Também me caiu o queixo porque Sócrates estava feliz no final e não percebia que tinha sido indiciado, deixado sob um manto de salpicos de lixo e estrume. Os seus advogados devem agora preparar a sua lavagem em jacto de mangueira. Enfim, felizmente sei que tudo isto é uma passagem, um caminho até ao supremo que tudo decidirá em 2035. Entretanto guardo algum dinheiro para indemnizar Zeinal Bava, Espírito Santo e talvez José Sócrates se for o caso.
Sobre a medicina medíocre que hoje vivemos, também estou de boca aberta à espera que serviços com cem por cento de vacinados expliquem à DGS que não faz sentido estarem de máscara, nem à luz das mais pobres teses da OMS ou da própria DGS. Também continuo espantado com a dificuldade em desconfinar os idosos nos lares com cem por cento de vacinação. Há um momento em que a política carece de decisão, os homens devem enfrentar a vida com virilidade e perceber que a ciência se faz caminhando e não à espera eternamente. Também é preciso abrir os estádios e os restaurantes – se quiserem ainda com algumas distâncias e conferências de covidistas a explicar cuidados conhecidos desde sempre. Os raios ultravioleta são inimigos dos vírus. A praia é inimiga dos vírus. O ar livre e a distância relativa e o ventinho no rosto são inimigos dos vírus. Os jovens desportistas têm tido uma taxa de incidência da doença grave quase nula. O que não podemos é manter o estado actual da saúde, da justiça e da economia. O que não podemos é continuar a viver com dedos acusatórios, com tipos que convertem redes sociais em campos de batalha, com empresas que se substituem à PIDE para modelar opiniões. Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Velocidade, Estética, Reflexão, Fertilização são os pilares em que acredito há muito tempo.

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